segunda-feira, 9 de maio de 2011

O Paulistão que importa


As últimas semans andam meio corridas.

Não consegui escrever sobre os demais jogos Barça x Real. Mas prometo um post sobre a final da Champions antes dela.


Passei agora aqui pra falar, ainda que rápido, da Final do Paulista. Paulistinha, Paulisteca, Paulistão, seja lá como você gosta mais de chamá-lo

O campeonato que todos queriam ver começou nas semifinais, semana passada. E o que se viu foi uma aula de como os técnico decidem os jogos.

No sábado, depois de um dóminio do São Paulo na primeira etapa, Muricy Ramalho fez no intervalo uma mudança que todo mundo achou absurda, tirando um atacante e colocando um zagueiro. O que se viu foi um Santos muito mais ofensivo, que achou logo seu gol e não deixou o tricolor do Morumbi jogar, carimbando a vaga pra final.

No domingo, o Felipão pilhou o meu Palmeiras na preleção de uma forma tal que o time exagerou na vontade em que entrou em campo. O time tomou cartões desnecessários logo no início, arrumou problema com o árbitro, Valdivia se machucou com seu próprio drible. Um lance polêmico tirou Danilo de campo mais cedo. (só um parênteses, aqui, eu acho que os dois mereciam cartão vermelho). O time ainda jogo melhor que o Corinthians. Mas não soube fazer gol, deixou chegar nos penaltis e perdeu pelo nervosismo de um jovem jogador.


Aí então, nessa semana chegamos nas finais. No primeiro tempo, só chamou atenção mais uma contusão do PH Ganso. Na etapa final, brilhou Neymaravilha. Uma frase bem legal do blog do Juca Kfouri resume a atuação dele:

"Porque Neymar resolveu jogar por ele, pelo Ganso, pelo Léo, pelo Arouca, Coutinho e Pelé, mandou nova bola nas traves e passou a infernizar a defesa corintiana, que viu Chicão salvar gol na linha fatal."

Mas o gol não saiu, e o jogo ficou no 0 x 0. Pra quem quiser uma análise mais detalhada do jogo, o post de Mauro Beting está muito bom.

Semana que vem na Vila Belmiro temos a promessa de um grande jogo. Infelizmente, sem o Ganso, que para por mais um mês.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Respeitável público: começou o maior espetáculo da terra!

É gente

Começou o maior espetáculo do mundo futebolístico deste ano.

Os quatro grandes duelos entre Barcelona e Real Madrid já tiveram seu primeiro ato.

E olhando só a ficha do jogo, alguém poderia dizer que foi bem clichê. Terminou num empate, 1 a 1, um gol de Messi pro Barça, um do Cristiano Ronaldo pro Real. E ambos de pênalti.

Mas obviamente não foi um joguinho fraco. Ta certo que este é o jogo que vale menos, pois foi pelo Campeonato Espanhol, que já está praticamente ganho pelo Barça. Depois d
es
te jogo, são 8 pontos de vantagens e faltam 6 jogos. Até agora (32 rodadas, o Barcelo só perdeu 1 jogo).

O juiz tratou de dar uma apimentada às discussões na Espanha até o próximo jogo. O pênalti marcado para o Real Madrid, aos 37 do segundo tempo, não existiu, e aliás, foi uma cavada bem sem vergonha protagonizada obviamente por brasileiros. Marcelo fingiu bem fingido ser derrubado por Daniel Alves.

Deixo uma dica que contrapõe o fanatismo que envolve este jogo. As crônicas do jornal Marca, de Madrid e do Mundo Deportivo, de Barcelona. Destaque para as opiniões claramentre diferentes sobre a saída de Puyol, que foi substituído no segundo tempo. Enquanto os Madridistas dizem que ele está lesionado e será desfalque para o próximo jogo, os catalães dizem que foi apenas por precaução.

Legal também é a ampla seção que o jornal Mundo Deportivo abriu só para os clássicos, com direito a contagem regressiva para os 4 jogos.

Quarta-feira as equipes voltam a campo pela final da Copa do Rey. Uma estatística que valoriza ainda mais o duelo: nenhum dos jogadores do Real que vão a campo já ganhou alguma vez este torneio.

Semana que vem, começam os duelos pela semifinal da Champions League.


* Foto: globoesporte.com

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O Ganso jogou, deu show, e o Santos ganhou


O peixe renasceu na libertadores

Graças, obviamente, a ele: Paulo Henrique Ganso

Já há algum tempo tenho ensaiado um post sobre ele. A recuperação da cirurgia, depois os diversos entreveiros relacionados à renovoção ou não do contrato, da ida ou não pro Corinthians, e tudo o que cerca essas situações, não seriam um motivo digno para citar o jogador.


Quero falar do seu futebol, e hoje tenho oportunidade de fazer isso.

Ontem o time do Santos entrou com "sangue nos olhos", e isso foi claro. Os gols que o time marcou foram fruto do futebol ideal de todo cronista esportivo: criou jogadas pelo chão, explorou a velocidade, tocou muito a bola e dominou o meio de campo. Os laterais apoiaram bem, Arouca foi o classico volante que sai pro jogo, o Ataque correu bastante, e uma estrela regeu tudo isso com maestria.

O chute de Danilo do meio do campo foi sensacional, e a correria do Maikon Leite produziu o resultado que tanto se espera desse tipo de jogador.

Mas certamente o melhor em campo foi ele, P.H. Ganso. Ainda que nas jogadas dos gols, a participação dele tenha sido na roubada de bola, ele desequilibrou a partida. Deu passes para os jogadores de frente (destaque para o passe para o Jonathan naquela linda jogada no primeiro tempo), deu chapéu, roubou bolas e ainda tentou uma cavadinha no final do jogo, que por azar o goleiro pegou.

É certamente um jogador diferenciado, não existe a menor sombra de dúvida. Tem uma visão de jogo incrível, incomum para um jogador normal. É realmente um novo Zidane, com uma pitada de Raí e uns lampejos de Van Basten.

Apesar de todos os problemas administrativos, joga todo jogo pelo Santos com todo o emapenho e vontade. Isso também é de se destacar e admirar.

Não tenho medo de dizer que, se seus joelhos deixarem, ele será o melhor jogador do mundo. E será lembrado jogando com a 10 pela seleção brasileira, em terceiro lugar, logo abaixo de Pelé e Zico.

Com ele no comando, Neymar na frente e Muricy no banco, o Santos terá um grande ano pela frente. Por esse e outros motivos, o campeonato Brasileiro deste ano está se configurando como o melhor de todos os tempos.

PS: Para quem quiser ler um post muito bom sobre a futura ou não transferência do Ganso, recomendo este, de André Kfouri: " O PHGate"

Foto: Uol Esporte

domingo, 3 de abril de 2011

Paperate!

Em italiano, "Paperata" é sinônimo de "lambança".

Traduzindo para o português, Paperata significa "coisa de pato"., Logo, fechando o ciclo de raciocínio, fazer uma coisa de pato é fazer uma lambança.

Mas como bem escrevi, ERA. Porque desde 2008 esse significado tem sido revisto pela imprensa esportiva italiana.

A Inter vinha em grande ascensão no campeonato, chegou a estar 11 pontos atrás do Milan e estava a somente 2. Desde que Leonardo assumiu a equipe, perdeu 1 partida e venceu mais de 10.
Ibrahimovic, grande estrela milanista na temporada, estava suspenso. O sentimento geral era de que o Milan não conseguiria segurar o ataque Nerazzurro, e a Inter coroaria a arrancada rumo ao título.

E foi um Pato tratou de dar a real cara ao clássico. Ele vinha sendo manchete nas últmas semanas, não tanto pelo futebol, mas por assumir publicamente um relacionamento com a filha de Berlusconi, patrão e primeiro-ministro italiano. Mas precisou de 43 segundos para colocar tudo no lugar. Depois de uma boa jogada com Seedorf, Robinho e Gattuso, Julio César pegou o primeiro chute, mas no rebote o atacante brasileiro apareceu no oportunismo de bom atacante,e chutou com força para fazer San Siro explodir, neste dia de mando de campo milanista.

O Milan dominou completamente as ações neste primeiro tempo. O time marcava muito eficientemente a saída de bola Interista. Há muito tempo eu não via essa marcação sendo tão bem feita. Lúcio não jogou e foi um grande desfalque na defesa que penava para acompanhar Pato, Robinho, Seedorf e Boateng.

A Inter teve dois lances de perigo nesta primeira etapa, mas foi o suficiente para cirar uma boa polêmica. Depois de uma bola alçada na pequena área, o goleiro Abbiati pegou uma cabeçada de Rannocchia que parecia estar dentro do gol, mas o juiz nada marcou. Em seguida, Eto'o perdeu um gol incrível de frente para o goleiro.

Para a segunda etapa, Leonardo bem que tentou, mas não conseguiu dar outro ritmo ao time. Pato e Robinho desciam sempre com perigo, e em uma dessas descidas, o astro brasileiro da noite ia ganhando na corrida de Chivu, que fez a falta. Sendo o ulitmo homem antes do gol, ele foi expulso.

Ai então as coisas ficaram melhores ainda para os Rossoneri. Vale destacar uma atuação impecável de Seedorf. O holandês (que na verdade nasceu no Suriname, por isso joga futebol tão refinado quanto os sulamericanos) no auge de seus 34 anos conduziu posses de bola com classe, serviu como referência para o time, que não via isso desde os tempos de Kaká. E numa bola fantástica de 3 dedos, achou Abate livre na entrada da area pelo lado direito, e ele cruzou para Pato, em posição duvidosa marcar de cabeça, aos 17.


Esta segunda "Paperata" foi um golpe de misericordia. Nem a entrada de Milito deu novo ânimo ao ataque Inter. Robinho quase aprontou uma para cima de Julio Cesar, mas ao querer dar um drible a mais, acabou perdendo.

O tecnico milanista Massimiliano Allegri tirou Robinho e Pato, deixando o ataque só com o bad boy Cassano. Este ainda teve tempo de sofrer um penalti, converter o 3 gol, tirar a camisa e levar amarelo. Na jogada seguinte, deu uma entrada por trás, levou o segundo amarelo e foi expulso. Mas nada que pudesse manchar a grande vitória do Milan e a disparada na liderança. São 3 pontos de vantagem para o segundo colocado, que agora éo Napoli. A Inter ficou em 3, a -5. Faltam 5 rodadas para o fim do campeonato.

Só para não perder a identidade do blog, aconselho a análise Claudio Carsughi sobre o jogo. Breve, sucinta e mesmo assim rica de informações.


* CURIOSIDADES

O derby de Milão não tinha um grande significado para ambas as equipes há um bom tempo. O último jogo que poderia decidir alguma coisa foi em 4 de maio de 2008, em que se a Inter vencesse ganhava o scudetto, mas o Milan venceu com gols de Kaká e inzaghi, e quebrou um tabu de 2 anos sem vencer o rival. A Inter seria Campeã 2 rodadas depois. e o Milan naquele ano nao foi nem para a Champions League. Este foi o único Derby que eu assisti em San Siro

Aliás, o último jogo derby tão decisivo quanto o de ontem foi na histórica Champios League de 2001/2002, quando o Milan desclassificou a Inter na semifinal com dois empates, em 0 a 0 e 1 a 1. O Milan ganharia a Champios naquele ano, sobre a Juventus, nos penaltis, com grande atuação do goleirio Dida.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Rogério 100ni


Ele é um mito.

Tenho que me render a tal situação.

O principal tabu do futebol brasileiro caiu ontem, nos pés daquele que deveria usar as mãos.

Um momento fantástico, que parece ter sido concebido por Deus com o maior carinho.
O local da falta era aquele que ele mais gosta. O adversário era aquele que representa a maior rivalidade do clube atualmente. Foi o gol que deu a diferença suficiente para garantir a vitória depois de 4 anos.

Rogério Ceni, um goleiro, atingiu a marca dos 100 gols marcados.

Rogério sempre foi exemplo de determinação, trabalho, dedicação pelo clube. Ele mesmo já declarou que um dia quer ser presidente do SPFC. Mereceu alcançar esta marca, e tem quem diga que será insuperável.

Sorte de quem presenciou lá no estádio! Eu gostaria de estar lá. Tal momento vale o ingresso do camarote tanto quanto uma final de campeonato.

Mas, tenho que dizer que tem muita sorte também de quem não estava lá. Rogério é uma realidade da era da mídia. Por isso, podemos procurar no youtube todos os 100 gols que ele fez.
O portal globoesporte.com fez um apanhado e condensou tudo aqui. Mas um trabalho legal mesmo é o do site


Vá em "Todos os gols", digite o número do gol que vc quer ver, e ele te traz um vídeo do gol. Bem legal, vale a pena, principalmente para os saopaulinos mais fanáticos.

Queria destacar também o trabalho feito pelo próprio Rogério e seus assessores no site pessoal do jogador. É um prato cheio para os gostam de estatísticas, mas vale bastante pena conferir mesmo se vc é um simples curioso.


Lá tem bastante da trajetória do atleta, ressalta algumas curiosidades, como o fato de que o Fábio do Cruzeiro é o goleiro que mais levou gols (6), e que o Palmeiras é a equipe que mais sofreu com ele (7).

O jogo de ontem, foi certamente um grande momento para o futebol brasileiro. Saíram matérias sobre ele no Olé argentino, no Marca espanhol, na Gazzetta italiana.

Parabéns ao Rogério, exemplo de dedicação e profissionalismo.
Exemplificado na última pergunta que ele respondeu após o jogo. O repórter perguntou:
- Qual seu próximo objetivo profissional?
Ele respondeu:

- Ganhar o próximo jogo.




PS:

Se alguem quiser uma boa análise da partida em si, leia Vitor Birner aqui

Só quero destacar a arbitragem de Guilherme Ceretta de Lima, muito boa.

*Foto: globoesporte.com

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A maior emoção que Ronaldo me deu

Ronaldo é a primeira grande estrela do futebol mundial de que eu tenho lembrança concreta de toda a sua carreira. Sendo assim, parei pra pensar qual o momento que mais me marcou.

Não consegui isolar um só. Tive que colocar 2.

O primeiro lance é o gol dele contra a Holanda, na semifinal da copa de 98. Lembro da tensão daquele jogo, e também do tanto que eu gritei quando ele fez aquele gol no segundo tempo. Foi, para mim, o gol mais importante que ele fez. O vídeo vai aqui abaixo, e essa versão é ainda mais legal porque o narrador é o cara que narrava nas versões do Fifa '97 e '98:




O segundo é a final da Copa de 2002, pelo título e pelo conunto da obra. Mas individualmente, estes são o segundo e o terceiro gols mais importantes dele. Abaixo vai um vídeo daquele jogo, com narração do Galvão:



E pra vocês, qual foi o gol mais importante do Ronaldo?


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Game Over

É, ele parou.

Antes de tudo, reitero minha opinião de que ele deveria cumprir o contrato. Daria para traçar um plano de jogar alguns jogos, entrar no segundo tempo, porque a genialidade faz a diferença sempre.

E fazê-lo agora, no meio desta clima extremamente atribulado, também não é a melhor decisão.

Mas ele parou mesmo.

Culpou o hipotireoidismo. O corpo frágil, que não acompanhou a genialidade. Disse que talvez, se tudo acontecesse num futuro, a medicina pudesse devolver alguns dos 3 a 4 anos de carreira que ele fico usem jogar nestes 15 anos.

Admiro a hombridade de pedir desculpas pela falha no projeto Libertadores, e por dizer que foi isso que faltou à sua carreira. Repudio outros atos do homem Ronaldo, que não vale a pena aqui citar.

Admiro sem ressalvas o jogador Ronaldo, que em 98 entrou em campo apesar da convulsão, que fez de tudo pela Internazionale até o fatídico "Cinque Maggio", que bateu no peito e disse que seria o melhor jogador da Copa de 2002, e foi.

Com orgulho direi aos meus filhos que o vi jogar, e não foi no Pacaembu, mas sim em San Siro, no penúltimo jogo dele em solo europeu. Me sinto previlegiado por isto.

Eu vi jogar um fenômeno.


Mas acabou. Game Over.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Festa da Pipoca???



O Brasil jogou, o Corinthians goleou, a Libertadores pra valer começou, mas o que realmente pegou nessa semana de futebol foi o cara que pipocou!

É, depois do vexame na Colombia, tão começando a aparecer os relflexos da crise corintiana.

Roberto Carlos abandonou o barco. Demonstrou todo o falso amor que ele tem pelo Corinthians. Na verdade, o amor dele é mesmo pela grana que alimenta seus 8 filhos. Direito dele.
Desde que virou estrela no Real Madrid, ele já não inspira muita simpatia. Teve o episódio de cortar o cabelo de todo mundo na seleção, no fim dos anos noventa. Teve o episódio da meia, em 2006 (na minha opinião, ele foi injustiçado).
Agora, situações misteriosas que não o fizeram jogar no fatídico jogo da semana passada. Culpa dele ou do Tite? Cada vez mais me convenço que a lesão foi desculpa.

Dizem que ele deu declarações pela metade. Ele disse que foi ameaçado. Falou que tinha propostas do Beckham pra ir para Los Angeles, depois apareceu na TV dizendo que de qualquer jeito ficava no Corinthians. Aí, de tarde, chama o Andres Sanchez, leva o advogado, e fala que tem uma proposta milionaria irrecusável da Rússia, de um time que ninguem nunca ouviu falar. Há quem diga (nesse caso, José Ilan, Globo.com) que a proposta já existia há um bom tempo, e ele estava esperando o momento certo de dar a cartada.

André Plihal faz uma análise interessante, de que falta pra ele é auto-confiança pra encarar o Corinthians e o futebol Brasileiro. Será?

Ele é profissional, tem direito de trabalhar onde quer. Boa viagem!


O que resta saber é se vai acontecer um efeito dominó. Se todas essas figuras vão aguentar a pressão do Parque São Jorge.

Bruno César, que tanto é bom jogador quanto estrelinha, já da sinal que quer pular fora há algum tempo.

Mas e o Ronaldo??? Tão falando que segunda-feira ele pendura as chuteiras. Será que ele vai mesmo pipocar assim? Muita falta de caráter, na minha opinião. Quando é salvador da pátria, superstar, Fenomeno de mídia e de marketing, tudo bem, ele aguenta jogar. Mas quando é pra sofrer a pressão, convém parar.

Carlos Cereto diz que ele só não para por questões comerciais. Mas pelo futebol, já jogou a toalha.

Bom, to julgando, sem saber o que vai realmente acontecer. Mas espero que seja só boato. Senão vai ficar muito feio.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Um motivo para recomeçar

Muitos vão me chamar de palmeirense aproveitador. Mas acredito que a desclassificação do Corinthians diante do Tolima semana passada seja a oportunidade que eu estava há algum tempo buscando para recomeçar este blog.

Mas não é. O que me leva e escrever isso hoje é a chance que o Corinthians tem de renascer, e este blog também.

A derrota da libertadores foi catastrófica, não só para a equipe, mas também para o futebol Brasileiro. Um time que ha tanto tempo vive com a sombra do fracasso na competição continental não pode se portar daquele modo. Em campo se via uma coisa apática, acanhada, miúda, esdrúxula, que não condizia com a tal grandeza que o time tanto prega ter.


Qualquer um pode enumerar os vários erros que levaram a tal situação: a retranca intrínseca de Tite, a barriga do Ronaldo, o esconde-esconde do Dentinho, o cotovelo do peruano Ramires, etc. Foi tudo muito claro, não deixou dúvida que o resultado foi justo, pois o Corinthians não demonstrou em momento algum capacidade de se classificar. Ha quem diga, como o Benjamin Back, que esse é o Corinthians na Libertadores, não ha o que fazer.

No fim de semana veio o clássico, e com ele um vitória "panos quentes". O meu querido Palmeiras foi indiscutivelmente melhor em campo, tentou mais, criou mais chutou mais. MAAAAAS Júlio Cesar, o melhor corintiano da temporada, estava inspiradamente inspirado, com direito a pacto com o travessão.

Quem esperava isso deste time? Garanto que nem eles mesmos.O resultado do jogo serviu pra mostrar o que devemos esperar do futebol é exatamente o inesperado.

Reerguer-se é possível. Vai ser complicado, pois não vai ter mais tanto dinheiro, o Ronaldo não vai emagrecer, e a torcida não vai sossegar, vai incomodar. Mas só que por estarmos falando de futebol, reerguer-se rápido é possível. Este esporte tanto fascina por permitir tais viradas.

No Corinthians, tudo é mais difícil. Clube de massa, de fanáticos. Como tem muita gente, a minoria "sem noção" também é maior, e gera problemas ridículos que fazem do entretenimento um inferno. Nesta boa análise de André Plihal, podemo ver como o ódio só estraga ainda mais o momento, e causa sofrimento desnecessário a quem não deveria. Mas não vou me estender muito neste assunto.

Exemplos de reerguida não são difíceis de encontrar. Alguns são rápidos, como o Flamengo em 2009, que em agosto estava rebaixado. Outros são de médio prazo, como a Seleção de Parreira em 94, que 2 anos antes sofria uma derrota vexatória para a Bolívia. Outras duram mais, como o Palmeiras em 93 e o próprio Corinthians em 77.

Como este blog fala de futebol, ele também vai reerguer-se. Não existe mais a pressão do post diário, como ocorreu na Copa do Mundo. Vou aparecer aqui de vez em quando, para falar do que o futebol fala. Talvez, dar pitacos em outros mundos também, quem sabe...

(Só pra relembrar, aqui pode ser lida a minha Motivação para escrever.)

É claro, sempre que puder vou comentar o cometário, proposta inicial do blog.

Tenho uma dívida, que são 5 jogos da copa, incluindo a final. Algumas destas análises já estão encaminhadas, mas virão em momento oportuno.


Obrigado a todos que aqui voltaram. Desculpe aos que aqui vieram e deram com a cara na porta, durante esta minha ausência. E aos que aqui estão pela primeira vez, sejam bem vindos.

E deixem seus comentários aí embaixo!


*Foto: Portal Placar/Abril

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sobre a Final

Passei aqui para avisar que publicarei o post sobre a final no próximo final de semana. Por hora, mando alguns links:

Vitor Birner
Marcelo Barreto
Lédio Carmona
Mano Menezes
Zonal Marking

domingo, 11 de julho de 2010

Dia #30 - Prognósticos da grande final em resumo

Li muitos posts sobre a prévia da final.

Alguns com análise tática impecável, como Zonal Marking e Olho Tático, sendo que ambos focam muito na influência de Cruyff e Pep Gaurdiola no modo de jogo da Espanha.

Há aqueles como Maurício Noriega, que defendem que haja o que houver, a Espanha é que é o melhor time, e por isso merece vencer. Ou como André Rizek, que defende a Fúria com embasamento científico.

E também aqueles que acham que quem vai ganhar vai ser mesmo a Holanda, como Mauro Cezar Pereira, comparando este time laranja à Familia Scolari de 2002

Existem também as análises mirabolantes e curiosas, como José Trajano relacionando a final à cidade de Santa Rita do Passa Quatro e PVC analisando os porquês da camisa azul.

A análise de Sidney Garambone, me agradou muito, já que como eu, ele queria mesmo era ver a taça dividida entre os dois times.

Mas com certeza a mais esperada de todas as análises é a de Paul, o Polvo. Mesmo sabendo que ele tem um histórico de erros em finais, todos esperavam ansiosamente sua proclamação. Ela foi inclusive transmitida ao vivo em vários canais pelo mundo, com narração e tudo.

Paul disse que a campeã será a Espanha.

Publico aqui o vídeo com a empolgadíssima narração do pessoal da Rádio Marca, que peguei como dica no Blog da Redação UOL Esporte. Destaque para os gritos de comemoração logo depois do resultado final:



Só relembrando os espanhóis mais otimistas, a final ele costuma errar.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Dia #26 - Espanha 1 x 0 Alemanha - Puyol encarnou a fúria

O grande duelo da copa. Há 4 dias que só se fala disso. Nas matérias completas da mídia em geral sobre as semifinais, o outro jogo ficava até com menos espaço.
Era o duelo do time que a todos encanta contra o time que todos queriam ver encantar, mas que mesmo não encantando está ganhando.

Esse jogo introduz o mais novo personagem da Copa. Depois dos Pássaros Galvão, da Jabulani, do Maradona, o mundo animal introduz o Polvo Paul nessa grande caricatura chamada Copa do Mundo 2010. É um polvo que adivinho os vencedores dos jogos através de caixas de comida.

Este Polvo já é um personagem do meio futebolístico desde a Euro 08, quando ele errou e disse que a Alemanha seria campeã, mas acertou os jogo precedentes, ainda que tenha sido perguntado somente a respeito dos jogos envolvendo alemães. Nesta Copa, novamente ele foi consultado, e até agora acertou todos os jogos germânicos, inclusive a derrota para a Sérvia. E para este jogo, o palpite dele é, Espanha. E olha que ele é alemão.

Meu palpite também era pela Fúria. Mesmo com o exército revolucionário de Joachim Low tendo feito 4 gols em duas potências, e a Espanha tendo sofrido para passar do apagado Portugal e tendo feito o mundo sofrer ao vencer de um jeito muito magro o time da Larissa Riquelme. Porque a esquadra germânica vinha sem um peça fundamental, Mueller. E os ibéricos tem seu maior trunfo a posse de bola, que inviabiliza o jogo rápido de contra ataques do time alemão.

A Espanha ganhou ainda mais pontos comigo quando vi que na formação inicial Del Bosque deixou Torres no banco e veio com o moleque Pedro desde o início. Nada melhor do que atacar a Alemanha da forma com que ela surpreendeu a todos: apostando na velocidade, vitalidade e no descompromisso da juventude. Boa análise de posicionamento do jogo feita por Mauro Beting, pode ser vista aqui.

Desde o início, viu-se que técnico do super bigode estava certo. A movimentação de Pedro infernizava a zaga alemã, que entrara em campo estranhamente apática, junto com o time todo. Pela primeira vez no mundial, o excesso de juventude pesou, e a mescla da experiência com a juventude deram o toque especial ao jogo espanhol. Busquets, Xavi, Xabi Alonso, e Iniesta rodavam a Jabulani de um lado ao outro do campo parecendo time de handebol, só esperando momentos certos para os "pivôs" Pedro e Villa se desmarcarem para receberem um passe e concluir. A Alemanha tentava não perder a concentração, pois sentia que um erro seria fatal, e então permitiu somente duas grandes ocasiões de perigo. No primeiro tempo, junta-se a estas somente uma terceira ocasião para Puyol em jogada de escanteio, pouco usual no repertório desta equipe.

A Alemanha, como já foi citado no parágrafo anterior, estava estranhamente apática. Parecia sentir o peso da decisão. Ozil foi muito bem anulado por Sergio Busquets. E Trochowski era esforçado, mas não conseguia substituir Mueller a altura. Klose e Podolski até recebiam a Jabulani de Schweinsteiger Lahm e Boateng, mas não tinham a frieza do domínio para manter a posse e gerar lances de gol. A única coisa que pode ser discutível neste tempo alemão é um possível pênalti em Ozil. Mas bastante discutível, passível de interpretação do momento.

Na segunda etapa, o cenário se mantinha, com a Espanha sendo perigosa duas vezes com Xabi e Villa, em chutes de fora. Kroos, substituto de Trochowski, exije de Casillas uma grande defesa em sua primeira participação, numa das raras vezes que a Alemanha conseguiu encaixar contra-ataque. Blitz espanholas permitiram ainda mais 3 grandes, sendo 2 com um impossível Pedro. A Espanha teve como pior índice durante o jogo, 58% de posse. incrível.

O gol veio aos 27', de um jeito pouco usual. Como no primeiro tempo, Puyol tentou mais uma vez uma jogada ensaiada de escanteio com Xavi. Mas desta vez, a corrida voraz e sem marcação, somada aos olhos bem abertos e emanando espírito de fúria, fizeram a cabeçada se transformar em gol, estufando a redes mais do que Roberto Carlos seria capaz em falta da meia lua sem barreira. Certamente, quando a Jabulani morreu lá no fundo, estava com dor e náuseas, vendo tudo girar, sentindo-se nocauteada. André Kfouri descreve este jogo como um tourada, e o gol como uma espetada no fundo da carne do touro holandês. vale a pena dar uma olhada.

Interessante dado que só a enciclopédia do futebol chamada Paulo Vinicius Coelho poderia reparar: era o primeiro gol da Espanha em jogada parada neste mundial. Mas era de se esperar, pois o grande trunfo deste time é a posse. Tanto que daí em diante o time simplesmente tocou a Jabulani de um lado ao outro. E vale destacar que isso é feito muito conscientemente, e de forma treinada. Dificilmente um toque percorre mais do que 5 metros, pois o domínio depende da passagem de pé em pé. O domínio é claro e indiscutível, e percebe-se que é o foco da equipe. O gol é consequência.

Pedro nos fez lembrar que ainda é mesmo moleque quando foi fominha e perdeu a chance de ampliar, ao querer concluir num momento em que o recém entrado Torres tinha gol aberto. E saiu logo em seguida, sabendo do erro que cometera. Nos minutos finais a
Espanha se segurou como pode. E no apito final, todo o time correu para abraçar Puyol, o herói catalão, naquele momento simbolo maior da unidade espanhola.

A Alemanha decepcionou nesta partida, mas sai de cabeça erguida do mundial. E já nos deixa em alerta para nosso mundial em casa. Certamente será um time muti forte até lá, quando os vários talentos amadurecerão. Ozil e Mueller prometem muito ainda.

No fim, vale lembrar que Paul, o Polvo, mais uma vez acertou.

Dia #25 - Holanda 3 x 2 Uruguai - A consistência laranja termina com o sonho celeste.


Mesmo sendo encarado com menor importância, este ainda era um jogo de semifinal de Copa do Mundo. A Holanda representava o time eficiente, que desclassificou o Brasil e está invicto há 2 anos. O Uruguai era a sensação do torneio, surpresa total até para eles mesmos, mas que trazia o melhor treinador da Copa e a esperança de todos os não europeus.

Muitos desfalques deixavam a celeste bastante desfigurada. O incrível sacrifício de Luiz Suarez desfalcava o ataque, e o multi-caras Lugano era o grande desfalque da defesa. Já a laranja vinha com peças até que bem substituídas, pois trocar um coadjuvante por outro é bem fácil.

O primeiro tempo teve um início de domínio holandês, sendo logo em seguida revertido para a celeste. Até que Giovanni Van Bronchorst acertou aos 17' um petardo no lugar geométrico mais próximo possível do que a linguagem boleira gosta de chamar de forquilha! Golaço incrível! Contando com um pouco da sobrenaturalidade da Jabulani, apenas para dar o toque milimétrico-plástico-cinematográfico do lance. Podia ser uma latinha amassada dessas que se usa pra jogar no recreio de milhares de escolas brasileiras, que entraria bem perto daquele lugar.

Vantagem holandesa acho que não merecida. O empate era o mais justo. E ele logo aconteceu nos pés do craque sulamericano: Forlán chutou também de longe, e dessa vez contou com bastante das danças da Jabulani para empatar, bem no final da primeira etapa. Todo mundo para o chuveiro na igualdade.

Para a segunda etapa, o técnico holandês tirou um volante e colocou Van de Vaart, visando o crescimento do volume de jogo laranja. Mas o Uruguai teve um virtude que o Brasil não teve, que foi tocar mais curto e manter a posse à espera de uma oportunidade. A Holanda realmente aumentava seu volume no ataque, porém sem conseguir envolver o uruguaios como fez em outros jogos.

Foi quando a individualidade de Sneijder, o maior candidato a craque da Copa, apareceu, junto com mais um capítulo da maior candidata a vexame da Copa, a arbitragem. O meia holandês limpou a marcação e chutou da entrada da área em direção ao gol. No meio do caminho, Van Persie, em posição de impedimento, não toca a Jabulani, mas claramente tenta e atrapalha o goleiro, caracterizando participação na jogada. É gol ilegal aos 25', vantagem laranja.

O Uruguai reclama, mas ainda acredita que o jogo pode ser ganhou em campo. Porém, 3 minutos depois Kuyt encontra Robben bem colocado para ampliar a contagem. Portenhos sentem um pouco o golpe desta vez. Mas continuam tentando.

Pela ausência de Suarez, Forlán veio mais adiantado, ao lado de Cavani, e assim o Uruguai perdeu seu grande trunfo na Copa até então, que era a armação de sua estrela. Oscar Tabarez até tentou, mas não tinha peças em seu elenco à altura de um semifinal de Copa, por isso optou por jogar com as melhores peças que tinha em mãos. A garra uruguaia se fez presente em muitos momentos do jogo, coisa que o Brasil não sabia fazer. E no fim, Maxi Rodriguez diminuiu o placar, colocando emoção nos instantes finais.

Mas não deu. A Holanda jogou a sua pior partida no torneio, mas estava na final 32 anos depois. Os uruguaios caíam com honra. Será que foi diretamente culpa do juiz, como defende Vitor Birner? E o que será que aconteceria com mais 10 minutos de jogo (pergunta que Andre Loffredo colocou no pós jogo da Sportv)?

O fato principal é que o Uruguai se redescobriu para o futebol. Teve uma chance bem aproveitada para mostrar para si mesmo que não é só passado, mas que tem um história de glórias que pode voltar no futuro. Ótimos textos sobre isso podem ser lidos em Lédio Carmona e Marcelo Barreto.

Mas os laranjas estão na final, com muitas chances de titulo. Será que Cruyff está feliz, ou vai dar uma das suas e mostrar dor de cotovelo?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dia #22 - Quartas - Brasil 1 x 2 Holanda - Quem explica o apagão?

Primeiro grande teste para os "dungaboys" no mundial. E também para a Laranja. A diferença é que os europeus vêm de dois anos de invencibilidade, e um futebol pragmático e consistente, porém sem brilho. Já a Canarinho foi amplamente contestada em 2 e amplamente elogiada em outros 2 jogos deste mundial. E fora um bom amistoso contra Itália, só jogou contra adversários ruins desde o jogo em que se classificou
matematicamente para o mundial, inclusive perdendo da Bolívia e empatando com a Venezuela.

Na formação inicial, uma surpresa de cada lado: Oojer entra na zaga holandesa, e Felipe Melo, apesar da contusão contra Portugal, vem entre os titulares.

O primeiro tempo faz o torcedor brasileiro sonhar. A Seleção domina a Holanda com maior posse e jogadas perigosas. Antes dos 10', Robinho abre o placar após cruzamento de Daniel Alves, mas o gol é corretamente anulado devido a posição irregular do lateral.

Logo em seguida, cerca de 5 minutos, outro gol, agora legal: Felipe Melo da um passe, no melhor estilo Gérson, no meio de uma defesa laranja mal posicionada, e encontra Robinho livre para completar para o gol em apenas um toque. Superioridade brasileira refletida com justiça.

E o domínio não parou por aí, a impressão era que viria uma goleada. Ótimas triangulações no trio ofensivo, que acabaram em chances claras desperdiçadas por Kaka e Luís Fabiano. Escanteios perigosas não aproveitados pela alta zaga. E o
primeiro tempo acabou com um gostinho de que a Holanda, apática ofensivamente, tinha saído no lucro.

Após o intervalo, as equipes retornaram sem modificações.

Mas atitude mudou. Na saída de bola já se viu um erro bisonho do time brasileiro. E logo Sneijder e Robben começaram a aparecer mais.

O atacante começou a ter mais liberdade, inclusive para dar a sua jogada já manjada, o corte para dentro seguido de arremate. O meia, sumido no primeiro tempo, foi logo efetivo: Num cruzamento seu aos 8', o melhor goleiro do mundo Julio César errou a saída, e Felipe Melo desviou acidentalmente para as redes.

Nesse momento, a seleção brasileira reagiu da pior forma possível. Acusou duramente o golpe e não conseguiu se recompor. Quinze minutos depois, em escanteio sem sentido concedido por Juan, os laranjas aplicaram uma jogada ensaiada com desvio no primeiro poste e gol de Sneijder de cabeça no centro da área pequena. Ele mesmo, outra vez. E com só 1,70m de altura.

Duelos entre Brasil e Holanda são sempre marcados pela dificuldade, disputas acirradas no placar, como em 94 e 98. Mas desta vez, diferentemente das outras percebia-se que ao nervosismo brasileiro seria o maior empecilho.

Felipe Melo, a grande aposta de Dunga, foi sempre muito contestado pelo temperamento instável, e excesso de violência. No jogo contra Portugal já demonstrou claramente isso. E logo após tomar a virada, foi disputar um bola com Robben e além de fazer a falta, deu um pisão no holandês, amplamente visto pela TV. O árbitro não precisou de replay ou auxiliar para avermelhar o brasileiro.

Daí em diante, faltou cabeça ao time brasileiro. Apagou tudo. Dunga precisa dar uma chacoalhada na equipe, mas não possuía ninguem no banco capaz de fazer isso. Robinho sumiu, Kaka deve ter sentido dores, um sumido Luís Fabiano deu lugar a um Nilmar com vontade mas nulo quando sozinho. E o sonho do Hexa ficou para 2014.

Agora, momento da caça às bruxas. Culpa de quem? Certamente uma parcela considerável de Dunga, E Felipe Melo? Ele foi o que sabia ser. Errou quem depositou confiança nele quando ele não poderia corresponder. Infelizmente, é um jogador médio, violenta, na medida para jogar campeonato alemão, não Copa do mundo pelo Brasil. Teve momentos de brilhantismo, como no passe do primeiro tempo, mas na pressão sempre espana.

E ele só foi para campo hoje porque Dunga não tinha substitutos em quem confiava. Com Ramires suspenso, os jogadores que receberam a copa como "prêmio" pesaram. e poderiam ter dado lugar a peças mais úteis.

Que eu penso da gestão de Dunga? Temos que aprender, e não esquecer, como disse PVC. Entender que o radicalismo não serve para nada, seja ele ditador (esse ano) quanto "open bar" (como em 2006). Saber que a diferença que o futebol brasileiro tem do resto do mundo é o talento, e talvez estrelas meteóricas têm que ser levadas em conta. A Seleção Brasileira deve ter vários jogadores capazes de desequilibrar, pois nós temos isso em abundância. Sem isso, somo normais.

O Brasil foi rotulado nesta copa, na mídia de língua inglesa, como "The Sambakings". Esse nome resume muito do que penso. Nessa época de futebol carrancudo, fechado e turrão, a alegria e a desenvoltura brasileira precisa brilhar. Senão, seremos comuns. Ou até piores que os comuns.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dia #19 - Espanha 1 x 0 Portugal - Uns brilham mais, outros menos.

Antes da Copa, qualquer um apostaria numa vitória espanhola, por um placar de muitos gols, sendo alguns para os lusitanos. Isso pela superioridade de um time, o espanhol, contrabalanceada pela superioridade de um jogador, Cristiano Ronaldo, que certamente deixaria suas marcas.

Neste ponto da Copa, ninguém tem tanta certeza de mais nada. A Espanha perdeu um jogo inacreditável, venceu os demais na medida. Portugal começou mal, goleou e se apresentou razoavelmente bem contra o Brasil. Previsão de jogo equilibrado, com leve vantagem da fúria. Esperança de brilho de Cristiano Ronaldo.

Mas a previsão, mais uma vez neste mundial, não se concretizou. A principalmente por culpa de Portugal. Cristiano Ronaldo teve como principal preocupação a posição de seu topete nos replays que passavam no telão. A criação sobrava para um esforçado Tiago, mas que não é um fora-de-série, e por isso não dava conta. O Bom Coentrão até colocou em prática uma boa marcação no início, mas a partir do final do primeiro tempo já afrouxou, e Xavi e xabi caíam por ali criando boas chances. Concluídas por Villa e torres, quase sempre para boas defesas do goleiro Eduardo.

Casillas quase colaborou com os lusitanos em algumas jogadas de bola parada, mas logo se redimiu. Simão e Hugo almeida tentaram o que podiam. E CR7 arrumou mais algumas vezes o topete.

Somente o nervosismo separava a Espanha do seu gol. A maior virtude desta equipe é o tempo que têm a Jabulani nos pés, com índices de passe maiores a 60% em quase todas as partidas. Assim, a calma era questão de tempo. Enquanto isso, Eduardo brilhava.
Demorou, mas apareceu a estrela da Copa. Poucas pessoas apostariam nele como o principal destaque do mundial, mas talvez como um dos melhores. Mas a calma e oportunismo estão fazendo de Villa o grande nome da Africa do Sul. Teve frieza para colocar-se no bico da área, receber o passe (ainda que em impedimento), errar o primeiro chute e acertar o segundo, pondo a fúria em vantagem aos 17"do segundo tempo. Enquanto isso, Cristiano Ronaldo ainda arrumava o topete.

Era o primeiro tento sofrido pelo goleiro Eduardo neste campeonato. Ainda assim, aproveito para apontá-lo como melhor em campo. É um dos que merecem a típica fama pós-copa.

Assim, dali em diante a Espanha cozinhou a partida, sem dar chance de reação aos lusitanos. Cristiano Ronaldo voltou para casa sem brilhar, marcando um único gol (apenas por piedade da Jabulani). Esse desempenho em parte foi mesmo culpa dele, pois carece de ser decisivo quando demandado. Mas uma parcela da culpa recai também sobre a seleção portuguesa, formada por vários jogadores médios ou bons, com entrosamento razoável e nenhuma capacidade de inovar. Por mais que seja bom, não tem o ambiente propício para se destacar.

Já Villa, tem todo um ambiente ao redor dele propício para o sucesso, e ele tem aproveitado muito bem isso. Pois então, como diriam os lusitanos, sua estrela "segue a brilhar"!

Dia #19 - Paraguai 0 (5)x 0(3) Japão - O jogo mais chato dessa copa

A surpresa nipônica prometia dar trabalho à garra paraguaia.

E deu trabalho mesmo não só a eles, mas à garra de todos nós. E o Paraguai também.
Os sulamericanos vieram com 3 atacantes, muita movimentação, pontaria zero. E o Japão teve no time titular os bons Honda e Endo, mas com exceção de pouquíssimas tentativas esporádicas no primeiro tempo, mal chegaram na área adversária.

O jogo foi chato, uma tortura.

E essa tortura durou 120 minutos. Infindáveis 120 minutos de tempo normal mais prorrogação. Quando chegou no 9o. minuto do primeiro tempo da prorrogação, a vontade do público era que ao menos tivesse disputa de pênaltis, para que a partida tivesse alguma emoção. E nos 15 minutos finais, meio que de pirraça, as equipe criaram alguma coisa de maior emoção. Parecia que era mais pelo cansaço da zaga adversária que por qualidade ofensiva.

Mas foi só um alarme falso. Fim de jogo, 0x0, primeira disputa de penalidades máximas da copa. E nem aqui tivemos muita emoção. Os paraguaios foram muito frios e firmes, e acertaram todas as cobranças. Já o japonês Komano não teve toda a frieza oriental necessária, e errou. Final, 5x3, E o Paraguai fazendo história ao chegar nas quartas de final pela primeira vez. Eram 4 sulamericanas entre as oito melhores.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Dia #18 - Brasil 3 x 0 Chile - Já era freguês mesmo...


Alguém realmente acreditava que Dunga poderia ter problemas?

O Chile de Bielsa, por mais que seja bem montado, e ofensivo, peca muito na defesa. E para melhorar, os principais defensores estariam suspensos.

Somado a isso, o fato de que Dunga pela primeira vez surpreendeu a todos, e ao invés do marcador Josué apostou na substituição de Felipe Melo por Ramires, peça que naturalmente já deixaria a seleção mais ofensiva. No papel, a seleção vinha com o que tinha de mais ofensivo (dentro da concepção dunguística), considerando Daniel Alves mais meia ofensivo do que Elano. No papel, estávamos nas quartas.

E no jogo, não foi diferente. Com uma postura ofensiva, o time chileno virou presa fácil para a Seleção. A saída de bola do time esteve impecável, fazendo com que os contra-ataques se tornassem muito perigosos. Mas o gol até que demorou a sair. Veio aos 34', num outro ponto forte (que diria) do time, o cruzamento na área. Após escanteio, Juan, para mim o melhor em campo, subiu mais alto do que todo mundo e marcou. Era a coroação de um grande trabalho da defesa brasileira. Neste Brasil defensivo, era justo que fosse marcado o terceiro gol de um defensor em Copas. E os outros foram de Marcio Santos em 94 e Edmilson em 2002, ambas campanhas de título (by Marcelo Barreto, que faz ótima análise da partida)

Mas para ampliar demorou menos. Num contra ataque aos 39', o trio de ouro brasileiro resolveu funcionar. Robinho recebe na direita, encontra Kaká no meio que coloca no limiar do impedimento para Luís fabiano, no meio da área. O atacante, driblou o goleiro e guardou, no melhor estilo matador.

Na volta do segundo tempo, Bielsa resolveu vencer sua birra com Valdívia e coloca El Mago em campo. Mas foi praticamente inútil perante a prestação do setor defensivo brasileiro. Gilberto Silva, Lúcio, e o super Juan estavam intransponíveis , além de Michel Bastos, que fez sua melhor partida com a amarelinha. Júlio César talvez tenha guardado o uniforme do segundo tempo limpo.

E o terceiro gol coroou a ousadia de Dunga: aos 15', Ramires roubou no meio, dominou, conduziu e tocou para Robinho, que em 1 toque botou a Jabulani para dentro e tirou a urucubaca de não fazer gols em Copas.

O único ponto negativo foi o cartão amarelo recebido por Ramires, que o deixou de fora do jogo das quartas. E foi a única falta do jogador no jogo, no meio de campo, bem desenecessária. Na verdade, deve ter sido encomendado pela imprensa, pois o time se portou tão bem, que não teria o que mudar para a próxima partida. Agora, pelo menos vai ter assunto para discussão.

Dos 25' até o final, nada que representasse perigo. O destaque mesmo foi a entrada de Kleberson, que tenho certeza que Dunga o colocou só para justificar a convocação.

Dia #18 - Holanda 2 x 1 Eslováquia - Atenção em cada detalhe

Mais uma vez eu digo que a Holanda era, antes da Copa, minha grande aposta.

Só que mais uma vez não consigo provar a todos que estava certo. É um crime comparar este time com o carrosel de Cruyff, o time de Van Basten ou até mesmo à equipe de Bergkamp. Mas também é crime comparar o time de Telê em 82 com o de 94.

Então, este time de Robben e Snejder continua jogando aquilo que sabe.
A arma deles todo mundo já viu, já entendeu. Cruzamentos de e chutres de fora da área de Snejder, e joadas pela direita com Robben, que por ser canhoto, sempre encerra a jogada com um corte para dentro e o chute direto. Marcar bem eta jogada significa marcar meio time.

Não há muito o que dizer deste jogo, ainda mais pelo meu atraso neste post (o jogo das as quartas contra o Brasil daqui há meia hora). O comentário que melhor sintetiza este time foi feito por PVC: a Holanda não é nenhum bicho papão, mas joga sabendo cada detalhe do que está fazendo.

Sabe até que levar um gol no minuto noventa não muda a classificação. Menção honrosa para Vittek que soube aproveitar a chance de dormir artilheiro.

Será que vou provar minha tese após as quartas?

Dia #17 - Argentina 3 x 1 México - Olhando o replay

Pela primeira vez, o jogo era da Argentina mas outra pessoa brilhou mais do que Maradona.
Antes de começar a partida, viro para e meu pai e digo: "com a eliminação da Italia, esse juiz certamente é um dos cotados para afinal". Engano meu .

O México entrou focado. Tem aquele gol de Maxi Rodriguez em 2006 entalado até hoje, e a disposição era toda para não deixar que ele se repetisse. O time mexicano é leve, rápido, mesmo não tendo o bom Carlos Vela. Criou 3 grandes chances até os 25'.

A Argentina demorava para se encontrar. Tevez mais uma vez era esforçado, mas o resto do time não. Messi não havia tido ainda chance de desequilibrar. Até os 25'

Nesse minuto crucial, aconteceu um lance que poderá selar a maior revolução que este mundial poderá trazer ao futebol. Eis que Messi finalmente tem a chance de criar o lance fatal, e passa milimetricamente para Tevez, que levemente impedido (porém bem na frente ao auxiliar), não alcança a Jabulani antes do goleiro, e fica na linha da pequena área olhando o desenrolar da jogada. O rebote do arqueiro caprichosamente encontra outra vez Messi, que num golpe de vista, sem realmente pensar na situação do companheiro, lança de primeira para o mesmo Tevez, que cabeceia para o gol. Era mais do que claro, o impedimento. Não precisava de replay para atestar isso. Mas o bandeira de início não levantou, e o árbitro italiano Roberto Rossetti validou o tento, apesar de ampla reclamação (falarei mais no fim do post)

A seleção mexicana ali se desestabilizou. Pouco mais de 5 minutos depois do fato capital, a zaga da uma bobeada inadmissível na frente de um sonolento porém oportunista Higuain, e o atacante agradece o presente, dribla o fraco goleiro Perez e amplia.

No segundo tempo, Tevez corou seu esforço com um belo gol, este perfeitamente regular, da intermediária. O placar de 3 x 0 matou as esperanças mexicanas. Ainda tentaram uma reação, diminuindo aos 26' com o jovem Hernandez, mas foi só.

No lance da controvérsia, o replay estava lá. E todo mundo viu. Jogadores do México colaram no bandeira apontando ao telão, enquanto a torcida vaiava. O personagem, chamado Stefano Ayroldi, também viu, por isso chamou o juiz na lateral, e aparentemente tentou voltar atrás na decisão. Mas Rossetti não endossou o arrependimento do auxiliar, e validou o gol. Era injusto, mas era a regra. Como aponta Mauro Beting, o juiz acertou ao errar deliberadamente, pois a Fifa quer que seja assim, não aceita a revisão do lance por meio de imagem, e aceitar tal revisão faria com que todo o regulamento do mundial pudesse ser contestado.

Os mais críticos podem vir com o argumento de que então qualquer erro do juiz poderia gerar também esta contestação. E digo que não, pois como as decisões do juiz são interpretativas, desde que tomada ali apenas pelos 3 árbitros, portanto errar é encarado com interpretado de forma diferente. Neste lance, claramente pode-se ver que houve influência externa.

Obviamente, eu não concordo com isso. Na era tecnológica, a tecnologia tem que fazer parte do maior espetáculo do planeta. E certamente a discussão será levantada após este mundial. Blatter inclusive se "desculpou oficialmente" pelo acontecimentos, e mandou os italiano para casa (junto com o juiz do jogo da Inglaterra). Mas a discussão tem que existir, a pressão para que isso ocorra é fundamental.

Pode não ser com abrangência total, pode ser só em situações de dúvida de eventos fundamentais (foi ou não foi gol, saiu antes do cruzamento ou não, etc), e não em qualquer situação. Pode ser chamado apenas pelo juiz, sem o famoso "challenge" da NFL, mas tem que existir a possibilidade de revisão. Senão, como comentei em post anterior, a credibilidade do esporte vai ser cada vez mais abalada. E a própria Fifa é quem tem mais a perder com isso.

Os quatro próximos anos devem ser de muita reflexão. Mas aposto que certamente em 2014 teremos muitas novidades.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Dia #17 - Alemanha 4 x 1 Inglaterra - A Ilusão de ótica


Que o time inglês devia futebol, ninguém nega. Que a Alemanha tem qualidade, também não. Mas Alemanha x Inglaterra é um "clássico", na melhor terminologia do boleiro brasileiro. Se fosse na Itália, seria "Derby"; na Argentina "Superclasico"; e na Inglaterra, "Big Match".

Esses eram o principais elementos e questionamentos antes da partida, que já começou movimentada. Cappello apostou novamente em Defoe no ataque.

(Faço um parêntese aqui sobre os técnicos italianos nessa Copa. Ambos tem um imensa dificuldade em convocar corretamente. As escolhas de Cappello são tão discutíveis quanto as de Lippi. Trazer Heskey e Defoe e deixar Walcott em casa é uma aposta muito duvidosa)

Desde o início, a juventude alemã se impôs. Muller e Ötzil tem um entrosamento fantástico no meio, e não importa quem esteja na frente, eles conseguem servir. Mas por ironia do destino, o passe para o primeiro gol saiu direto do goleiro Neuer para Klose. O atacante muito oportunista, que não desiste de nenhuma jogada, lutou até o fim, e ganhando na corrida do zagueiro, tirou do goleiro e abriu o placar. Eram 20' do primeiro tempo.

Aos 32', Mueller recebe atrás da zaga e tem caminho aberto para o gol. Mas vê Podolski chegando do lado oposto, e serve o companheiro, que domina e chuta cruzado em meio às pernas de James. Placar ampliado em ótima percepção de Mueller, que não foi fominha e serviu o ataque. Tudo levava a crer em goleada histórica.

Porém, 5 minutos depois o time inglês resolveu por em prática o velho estilo chuveirinho, já que conta com dois fantástico cruzadores, Lampard e Gerrard. E este último encontrou Upson na pequena área, que se redimiu na falha de marcação de Klose no início para diminuir.

Aí, lembrei daquele velho jargão: "clássico é clássico, e vice-versa", e não tem favorito. Dois minutos após o gol, Lampard recebe a Jabulani na meia-lua, acha espaço em meio à zaga alemã, e solta um petardo que bate no travessão e no chão, DENTRO DO GOL, e sai na mão do goleiro, que já repõe no ataque. O árbitro uruguaio Jorge Larrionda não da o gol, muito menos seus assistentes. Mas claramente a bola entra, como podemos ver neste vídeo do globoesporte.com:



É, a Fifa insiste com a idéia de poucos juízes em campo e sem ajuda eletrônica, e esses erros comprometem o trabalho de anos de todo um país. Um grande absurdo.

A Inglaterra até tentou mais algumas vezes antes do intervalo, mas o placar ficou neste 2 x 1 mesmo.

No segundo tempo, a Alemanha voltou com a postura de contra-atacar. A Inglaterra pressionou no início sofrendo rápidas investidas de contra golpe. Até que aos 22', uma delas chegou em Schweinsteiger, e ele encontrou Mueller na entrada da área. O bom meia foi premiado com um bonito gol. Era o terceiro gol alemão. Nesse momento, afundou todo ímpeto da esquadra inglesa.

E 3 minutos depois, Özil conseguiu outra boa escapada rente à linha lateral, cruzou ao meio encontrando mais uma vez Mueller, que fez o segundo e coroou sua fantástica atuação, bem como a prestação de toda equipe alemã.

Mas, fica aquela sensação de enganação no ar. Será que a partida teria tomado outros rumos com o empate inglês? O domínio alemão era incontestável, mas ainda assim fica aquela ponta de dúvida, pois seria um empate conseguido na garra em 2 minutos. No futebol, isso é capaz de mudar resultado.

Muitos colocaram este lance como troco pelo que ocorreu na final da copa de 1966, quando um gol inglês contra a Alemanha não entrou mas foi validado. Era um débito que o English Team tinha com história.

O fato é que bateu dentro, e o juiz deveria ter dado. No intervalo, as vaias ao juiz superaram inclusive as incansáveis vuvuzelas. E isso tudo poderia ser evitado se a FIFA resolvesse se modernizar, como toda a humanidade está se modernizando. Deve se utilizar de recursos tecnológicos para aumentar a acurácia dos acontecimentos, neste que é o maior espetáculo esportivo do planeta. Esse cultura da interpretação e da injustiça vai deixar (ou já deixou) de ser um charme do jogo e passar a ser uma mancha que denigre o esporte.

No mundo do twitter, as reclamações não demoram nem um minuto para aparecer. E posto aqui um screenshot tirado minutos após o tal momento controverso daquela página de buzz monitor da CNN que postei no jogo do Uruguai.


Impressionante o fato de que eram 7493 tweets por minutos só sobre "Inglaterra". E pode-se ver também referências ao juiz (referee), aos bandeirinhas (linesman), a 1966 e a "clearly (claramente). Enfim, todo mundo viu.

Outra manifestação que rodou a rede, esta bem humorada e que merece destaque, eu tirei do fotoblog Panettone Fly Free (via @timsleeper):



E você viu gol? O juiz e o bandeira não. Será que foi mesmo ilusão?

Dia #16 - Estados Unidos 1 x 2 Gana - O fim do sonho americano


A expectativa deste jogo era grande. Os Estados Unidos eram a equipe da emoção nessa copa e Gana o último fio de esperança da África. Tinham todo um continente que para incentivá-los.

E parece que isso pesou em favor dos ganeses. Sentindo toda essa motivação, entraram bastante ligados na partida, contra um time sonolento dos norte-americanos. Talvez culpa do vibrante uniforme vermelho e amarelo.

Nem bem começou o jogo, Prince Boateng recebe um passe depois de um desarme no meio de campo, corre quase 40 metros e chuta para abrir o placar, após mau posicionamento do goleiro Howard (na minha opinião).

A partir daí, o nervosismo imperou no time dos EUA. Donovan não tinha muito espaço para desenvolver, diante da forte marcação africana. Altidore novamente era um peso destrutivo no ataque. E Gana corria bastante nos contra-ataques, levando perigo.

No segundo tempo finalmente os Estados Unidos conseguiram jogar com mais objetividade, e empataram a partida com Donovan cobrando pênalti. O jogo ficou equilibrado, mas ninguém conseguiu encaixar mais nenhuma jogada ofensiva, e o jogo foi para a prorrogação.

Mais uma vez, o time africano entrou mais ligado, e logo aos 4 minutos Gyan consegue escapar em meio à defesa norte-americana e bate firme da entrada da área. Os EUA perderam muitos gols durante a partida, e no final, até o goleiro foi à área cabecear. Novamente, um final com muita emoção.

Mas marcação ganesa se impôs, e levou o continente africano mais uma vez às quartas. E decretou-se o fim do sonho americano. Que essa participação seja levada como lição para a constante evolução do soccer, agora com amplo apoio popular.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Dia #16 - Oitavas - Uruguai 2 x 1 Coréia do Sul - Celeste à mineira


Começaram as oitavas.

Umas das chaves já garante um time "inédito" na semifinal. Coloquei entre aspas pois nossos hermanos uruguaios já não figuram na elite de algum campeonato há muito tempo. Ganhar algo, já não conseguem desde que Francescoli em 95 bateu aquela falto na barreira mal colocada por Taffarel.

E parece que Oscar Tabares veio decidido a mudar mesmo esta escrita. E tem uma arma mineira para isto: Diego Forlán. Este muito bom jogador chegou na copa de mansinho, saiu de centroavante para armador de jogadas e tem sido o motor de um Uruguai muito consistente. Enfrentou somente a França como adversário que teoricamente ofereceria grande perigo, porém como se viu foi o pior de todos. Mas nenhum dos resultados celestes foi contestado.

Os coreanos até que tentaram. Depois de uma falha inexplicável do goleiro que resultou no primeiro gol de Suarez, e um primeiro tempo muito bagunçado, o time voltou para o segundo tempo muito bem. Os primeiros 23 minutos foram de domínio incontestável, com muita velocidade e Lugano se segurando do jeito que dava. Até que o gol de Lee justamente saiu.

Mas o Uruguai e principalmente Forlán não se abalaram. O time logo acordou, se impôs, e numa jogada de cruzamento, a Jabulani procurou quem entendia. Suarez a pegou com carinho, ajeitou para o meio e acertou um chute fantástico no lado oposto.

Placar final 2 x 1, Uruguai nas quartas depois de 40 anos. Parabéns à Coréia do Sul que caiu lutando até o final. Parabéns ao Uruguai que foi superior e mereceu vencer. E de mansinho vai voltando ao topo.

Aproveito para mostrar um site de monitoramento de Tweets focado em Copa. É um serviço da CNN, que isola as expressões relativas à Copa e faz uma representação de proporção através de figuras. Abaixo, o monitor no momento do gol coreano:



É bem interessante para quem gosta do assunto. Para ver mais, o endereço é esse aqui:

http://edition.cnn.com/SPECIALS/2010/worldcup/twitter.buzz/

Dia #15 - Espanha, Chile e a punição ao anti-jogo

Análise rápida deste grupo.

A Espanha, grande favorita, precisava ganhar. A Suíça, rainha do antijogo, tinha a classificação na mão, era só golear a fraca seleção de Honduras. E o Chile, sensação ofensiva da Copa, poderia ficar de fora.

O que esperar do resultado desse grupo? Apesar de torcer pelo Chile, a impressão era que ficaria pelo caminho. Mas os Deuses do futebol trataram de punir quem denegria a imagem do esporte. Se a Suíça passasse, era a vitória de um time que rejeita o gol num esporte que o objetivo é fazer gols.

A Espanha se impôs no primeiro tempo e abriu 2x0 com Villa e Iniesta, sendo que o primeiro gol foi numa infantilidade sem tamanho do goleiro chileno. Estar perdendo deixou os sulamericanos nervosos, e parecia que a consistente Fúria iria golear.

Mas Bielsa tratou de mudar a postura do time para o segundo tempo. E logo nos primeiros minutos da segunda etapa, Millar chutou a Jabulani de um jeito que pareceu a folha seca de Didi, mas que na verdade foi culpa de um desvio do zagueiro, e entrou. O placar de 2 x 1 obrigava os suíços a vencer por 2 gols.

Coisa difícil. Para variar, a Suíça foi mais adepta do anti-jogo do que de procurar o gol. Aí, não tinha o que fazer. As chances foram iguais, para Honduras e para os europeus. O time centro-americano ficou feliz com o pontinho que levou para casa.

Para o Chile, classificação justa. O único problema foram os 3 desfalques que ganhou para o jogo contra o Brasil, em sua já não tão boa defesa. Vamos ver o que vai dar!

Classificados
1 - Espanha
2 - Chile

domingo, 27 de junho de 2010

Dia #15 - Grupo G - Brasil, Portugal e o Chuck Norris canarinho


O duelo talvez tivesse perdido o brilho com a expulsão de Kaka e a goleada portuguesa na rodada anterior. O Brasil convenceu no jogo anterior, então já era esperado que classificasse em primeiro.

A maior expectativa era como a Seleção se comportaria sem Kaká. O seu substituto Júlio Batista, que foi a questão mais discutida na convocação de Dunga, teria a grande chance de provar que as críticas estavam erradas. De última hora, Robinho foi poupado e deu lugar a Nilmar, e somando-se a Daniel Alves no lugar do machucado Elano, eram essas as três mudanças em relação ao jogo contra a Costa do Marfim.

Porém, o esperado aconteceu. O Brasil começou o jogo sentindo a falta de movimentação e criatividade de Kaká e Robinho. Júlio Batista foi muito mal, Gilberto Silva continua apenas destrutivo, e Felipe Melo estava em noite digna de Bruce Lee. Travou um duelo a parte com o luso-brasileiro Pepe, estava amarelado aos 35, e foi substituído aos 41 do primeiro tempo ainda. Daniel Alves tentou algo a mais, com chutes de fora da área e um passe para Nilmar chutar na trave, mas foi só.

Ficou evidente a kakadependencia. O segundo tempo foi feio e sem emoção. Daniel Alves sumiu da partida, Luís Fabiano estava afobado e sem pontaria, e Dunga demorou demais a mexer na equipe. Colocou Ramires, mas ainda assim pouco ajudou.

Portugal criou algumas poucas chances, quase todas passando por Cristiano Ronaldo, mas ainda assim sem perigo. O capitão Lúcio foi o grande nome do jogo. Se antecipou ao atacante português em praticamente todas as jogadas, deixando-o com pouco espaço para jogar. Em um dos poucos equívocos, na tentativa de proteção dentro da área, tocou para o meio e colocou Raul Meireles na cara do gol, mas Julio Cesar mostrou serviço.

Para completar a performance, o camisa 3 brasileiro em várias oportunidades ainda saiu jogando, chegando até a criar jogadas mais do que o próprio meio campo brasileiro. E aos 42, ainda cabeceou com perigo após cruzamento de escanteio.

Enfim, foi o melhor em campo, indiscutivelmente. Porém, o prêmio da Fifa foi mais uma vez para Cristiano Ronaldo. Não será porque isso é feito via internet, no site da entidade? O português é fenômeno de mídia, esses votos não serão nunca justos. Mesmo se o time perder por goleada ele será o mais votado.

Na outra partida, a Costa do Marfim, sabendo que precisava de um placar elástico, começou até que bem, abrindo 2 x 0. Mas depois parou, só retomando o ritmo no fim do segundo tempo, e o placar ficou só em 3 x 0. Com o empate da outra partida, mesmo um 10 x 0 seria inútil.

O destempero de Felipe Melo foi outro grane assunto do jogo. O jogador não foi bem nesta temporada, e cada vez mais tem se mostrado como um atleta violento. Esperava-se dele um comportamento diferente na copa, e no jogo da Costa do Marfim ele até que se portou bem. Mas nesse jogo, mais difícil, voltou a destemperar-se. Continuando assim, contra Uruguai ou Argentina, teremos ele em campo por 15 minutos apenas. Interessante foram as campanhas que dispararam na internet durante e após a partida. Primeiro, foi o "calma Felipe Melo", por causa das faltas e do amarelo. E após o jogo, pipocaram alguns "Felipe Melo Facts" , no melhor estilo Chuck Norris:

Por causa do Felipe Melo, os melhores momentos da copa vão ser editados pelo Tarantino.

As namoradas de Felipe Melo têm medo de pedir carinho a ele. Ele pode entender carrinho.

Milhares de pessoas no mundo deram entrada no hospital após assistir à atuação de Felipe Melo em transmissão 3D.

O cantor Roberto Carlos e o apresentados Wagner Montes já entraram numa dividida com Felipe Melo...

No jogo de xadrez: Cristiano Ronaldo é a Dama; Kaká é o Bispo; Julio Batista é a Torre; Felipe Melo, o Cavalo.

Uma vez Felipe Melo foi jogar JoKenPo com o presidente Lula. Ele tinha uma tesoura, e o Lula, 5 dedos.

O Michael Jackson morto faz muita falta. O Felipe Melo vivo faz mais ainda.

Felipe Melo é o único jogador que você encontra no FIFA 2010, no Winning Eleven e no Mortal Kombat.

Mais facts no blog do Renato Maurício Prado, Kibe Loco e o mais impressionante, Portal do Vale Tudo.

Classificados

1 - Brasil
2 - Portugal

Dia #14 - Grupo F - Paraguai, Eslováquia e a Culpa italiana


Nesse grupo, não convém falar explicitamente dos jogos. O resultado final é mais importante. Então, vou começar pelo fim, tentando explicar

A desclassificação da Itália foi uma grande vergonha para o futebol italiano. Não é uma novidade, pois a Itália já caiu na primeira fase em outras 5 vezes (as outras foram em 50, 54, 62, 66,74, conforme cita PVC). De quem é a culpa disso? O diário Tuttosport.com, 5 minutos após o fim do jogo, colocou no ar apenas a foto acima, do técnico Marcello Lippi com escrito em cima "COLPA TUA" (culpa tua). Na coletiva pós-jogo, ele mesmo quis assumir toda essa culpa.

O que ele fez? Apostou demais em Simone Pepe, jogador limitado, e que depende de outros jogadores para render, e não tem frieza para decidir, como vimos no último lance da partida. Consequentemente, demorou para encontrar o ataque ideal, dentre as peças que tinha. Só nos últimos 15 minutos de um jogo em que já perdia por 2x0 apostou em Di Natale e Quagliarella ao invés do fraco Iaquinta e da eterna promessa Gilardino. A resposta foram os 3 (1 anulado) gols em 10 minutos, todos resultados de bonitas jogadas, além da bola salva em cima da linha pelo zagueiro eslovaco.

O meio, sem Pirlo (a entrada dele foi um ato de desespero apenas), sofreu com muita aposta no fraco Camoranesi e um De Rossi, que é bom mas pensa que é muito melhor, tanto que cometeu o erro bobo e crucial que resultou no primeiro gol eslovaco. Gattuso, por mais história que tenha, não era jogador para essa copa, já sente muito a idade.

A defesa, sempre o grande ponto forte italiano, tinha uma falha estrutural chamada Fabio Cannavaro. Um jogador de quase 37 anos já deu o que tinha que dar numa Copa. Já foi o melhor do mundo, ainda que em escolha duvidosa. A Itália sofreu 5 gols no torneio, e os 3 principais foram culpa dele: contra o Paraguai, contra a Nova Zelândia e o terceiro gol contra a Eslováquia, quando o time ganhava moral e conseguia mais volume de jogo. E ainda foi num lance besta, de lateral. Inadmissível. Chiellini até tentava compensar, ainda terá uma sobrevida vestindo a azzurra. Zambrotta não merece ser comentado.

E no gol, o tal do Marchetti, não teve culpa de ser convocado e do Buffon dar mal jeito na coluna, que aliás é típico sintoma da idade.

Enfim, Lippi não colocou em campo o melhor time disponível. Confiou demais na sua base campeã mundial, que já não era um time fantástico. Indo mais para trás, convocou mal, mas não como Dunga, explorando um time trabalhado e construído. Quis levar aqueles que estiveram com ele na Alemanha. Para isso, deixou em casa talentos de grande destaque nos últimos campeonatos italianos, como Boriello, os jovens Giuseppe Rossi e Balotelli, e o badboy Cassano, que é melhor do que qualquer um que ele chamou. E é triste saber ele só não vai por birra antiga entre eles.

Enfim, foram sucessivos erros de Lippi. Mas indo ainda um pouquinho mais para trás ainda, errou quem colocou o Lippi lá. Depois de 2006, ele pediu demissão como estrela e tentaram uma experiência "estilo Dunga", com Donadoni, que fracassou na Euro08. E ao invés de inovar, foram lá chamar o Lippi outra vez. E esperavam que ele colocasse em campo um time renovado?

Arrisco dizer que uma das melhores coisas que a Itália tem atualmente é a safra de técnicos: Luciano Spaletti, Roberto Mancini, Carlo Ancelotti, Claudio Ranieri e Cesare Prandelli são todos muito bons. Este último, que para mim é o melhor de todos eles, inclusive já assinou com a Federcalcio (CBF de lá) para o pós-copa. Mas será tarde.

Enfim uma sucessão de erros que vão muito além desta partida, mas que aqui tiveram seu climax. Mérito da Eslováquia, que fez o básico, com um Hamsik mais inspirado que nos outros jogos, e Vittek oportunista. Aproveitaram suas chances com eficiência, e a Itália não.

Itália vai para casa com vergonha. Lippi deixou de ser sinônimo de herói para símbolo do maior fracasso na história do Calcio.

Sobre o outro jogo, parabéns para os paraguaios que confirmaram o 1o. lugar e a hegemonia sulamericana nesta Copa. E parabéns para a Nova Zelândia, que veio com rótulo de saco de pancada e foi embora invicta, na frente de França e Itália. Mas precisa treinar bastante ainda. O jogo foi muito fraco.

Classificados:

1 - Paraguai
2 - Eslováquia

sábado, 26 de junho de 2010

Dia #14 - Grupo E - Holanda, Japão e os aprendizes de Zico


Depois da desclassificação da Itália, este dia não poderia proporcionar mais nenhuma grande surpresa. Um jogo seria confronto direto por vaga, o outro para treinar a Holanda.

Foi o que aconteceu. Até esta rodada, a Laranja está muito longe de ser mecânica, parecendo mais uma mexerica ainda verde no pé, vencendo mais não convencendo. E Camarões, já desclassificado, vinha apenas pela honra.

E o jogo não teve graça nenhuma. Não é que tenha sido um jogo horroroso, mas foi desinteressante. Todo mundo foi assistir Japão e Dinamarca (mesmo quem deveria ter visto outro), pois lá teve emoção e bom futebol. Para não dizer que nada foi relevante, teve a entrada de Robben, e a participação dele no segundo gol. Eto'o até chegou a empatar de pênalti, para não passar em branco. Mas foi só.


A grande jogo foi mesmo Japão e Dinamarca. O time japonês está ganhando muita confiança conforme avança o mundial. E não é para menos. Honda e Endo, a dupla responsável pelas ações de ataque da equipe, é muito habilidosa, tem muito talento, e sabe usar bem. Ambos cresceram no Japão dos anos 90, que viu o crescimento do futebol através de um embaixador muito especial: Zico. Endo chegou a trabalhar com o galinho na Copa passada, mas é evidente que ambos aprenderam muito com ele.

O primeiro gol, de Honda, de falta pelo lado aos 17'. A Jabulani teve endereço direto para rede, sem aprontar das suas, e com o goleiro dinamarquês se posicionando mal. O time manteve o domínio, e Endo fez mais um aos 30', de falta outra vez, agora frontal. A perfeição não é a mesma, mas ninguém duvida que os alunos usaram da concentração oriental para estudar e treinar os ensinamentos do mestre, e os aplicaram muito bem.

A Dinamarca tentava se recompor. Tomasson, Rommendal e o grandalhão Bendtner tentavam organizar o ataque, mas esbarravam na própria afobação. No segundo tempo, o técnico Molten Olsen colocou mais dois atacantes, encheu e área japonesa e abusou de levantamentos na área, sem sucesso. Conseguiu apenas um pênalti aos 35, convertido.

O 2 x 1 não intimidou o Japão, que jogava no contra-ataque usando da tradicional velocidade asiática. E numa dessas jogadas, mais uma vez Honda desequilibrou. Deu um drible dentro da área, digno de jogador sulamericano (como diz Birner aqui) ficou cara-a-cara com o goleiro. Mais uma vez mostrou uma personalidade digna de Zico, não foi fominha, e passou para o companheiro que estava na cara do gol só empurrar.

Classificados

1 - Holanda
2 - Japão