Primeiro grande teste para os "dungaboys" no mundial. E também para a Laranja. A diferença é que os europeus vêm de dois anos de invencibilidade, e um futebol pragmático e consistente, porém sem brilho. Já a Canarinho foi amplamente contestada em 2 e amplamente elogiada em outros 2 jogos deste mundial. E fora um bom amistoso contra Itália, só jogou contra adversários ruins desde o jogo em que se classificou
matematicamente para o mundial, inclusive perdendo da Bolívia e empatando com a Venezuela.
Na formação inicial, uma surpresa de cada lado: Oojer entra na zaga holandesa, e Felipe Melo, apesar da contusão contra Portugal, vem entre os titulares.
O primeiro tempo faz o torcedor brasileiro sonhar. A Seleção domina a Holanda com maior posse e jogadas perigosas. Antes dos 10', Robinho abre o placar após cruzamento de Daniel Alves, mas o gol é corretamente anulado devido a posição irregular do lateral.
Logo em seguida, cerca de 5 minutos, outro gol, agora legal: Felipe Melo da um passe, no melhor estilo Gérson, no meio de uma defesa laranja mal posicionada, e encontra Robinho livre para completar para o gol em apenas um toque. Superioridade brasileira refletida com justiça.
E o domínio não parou por aí, a impressão era que viria uma goleada. Ótimas triangulações no trio ofensivo, que acabaram em chances claras desperdiçadas por Kaka e Luís Fabiano. Escanteios perigosas não aproveitados pela alta zaga. E o
primeiro tempo acabou com um gostinho de que a Holanda, apática ofensivamente, tinha saído no lucro.
Após o intervalo, as equipes retornaram sem modificações.
Mas atitude mudou. Na saída de bola já se viu um erro bisonho do time brasileiro. E logo Sneijder e Robben começaram a aparecer mais.
O atacante começou a ter mais liberdade, inclusive para dar a sua jogada já manjada, o corte para dentro seguido de arremate. O meia, sumido no primeiro tempo, foi logo efetivo: Num cruzamento seu aos 8', o melhor goleiro do mundo Julio César errou a saída, e Felipe Melo desviou acidentalmente para as redes.
Nesse momento, a seleção brasileira reagiu da pior forma possível. Acusou duramente o golpe e não conseguiu se recompor. Quinze minutos depois, em escanteio sem sentido concedido por Juan, os laranjas aplicaram uma jogada ensaiada com desvio no primeiro poste e gol de Sneijder de cabeça no centro da área pequena. Ele mesmo, outra vez. E com só 1,70m de altura.
Duelos entre Brasil e Holanda são sempre marcados pela dificuldade, disputas acirradas no placar, como em 94 e 98. Mas desta vez, diferentemente das outras percebia-se que ao nervosismo brasileiro seria o maior empecilho.
Felipe Melo, a grande aposta de Dunga, foi sempre muito contestado pelo temperamento instável, e excesso de violência. No jogo contra Portugal já demonstrou claramente isso. E logo após tomar a virada, foi disputar um bola com Robben e além de fazer a falta, deu um pisão no holandês, amplamente visto pela TV. O árbitro não precisou de replay ou auxiliar para avermelhar o brasileiro.
Daí em diante, faltou cabeça ao time brasileiro. Apagou tudo. Dunga precisa dar uma chacoalhada na equipe, mas não possuía ninguem no banco capaz de fazer isso. Robinho sumiu, Kaka deve ter sentido dores, um sumido Luís Fabiano deu lugar a um Nilmar com vontade mas nulo quando sozinho. E o sonho do Hexa ficou para 2014.
Agora, momento da caça às bruxas. Culpa de quem? Certamente uma parcela considerável de Dunga, E Felipe Melo? Ele foi o que sabia ser. Errou quem depositou confiança nele quando ele não poderia corresponder. Infelizmente, é um jogador médio, violenta, na medida para jogar campeonato alemão, não Copa do mundo pelo Brasil. Teve momentos de brilhantismo, como no passe do primeiro tempo, mas na pressão sempre espana.
E ele só foi para campo hoje porque Dunga não tinha substitutos em quem confiava. Com Ramires suspenso, os jogadores que receberam a copa como "prêmio" pesaram. e poderiam ter dado lugar a peças mais úteis.
Que eu penso da gestão de Dunga? Temos que aprender, e não esquecer, como disse PVC. Entender que o radicalismo não serve para nada, seja ele ditador (esse ano) quanto "open bar" (como em 2006). Saber que a diferença que o futebol brasileiro tem do resto do mundo é o talento, e talvez estrelas meteóricas têm que ser levadas em conta. A Seleção Brasileira deve ter vários jogadores capazes de desequilibrar, pois nós temos isso em abundância. Sem isso, somo normais.
O Brasil foi rotulado nesta copa, na mídia de língua inglesa, como "The Sambakings". Esse nome resume muito do que penso. Nessa época de futebol carrancudo, fechado e turrão, a alegria e a desenvoltura brasileira precisa brilhar. Senão, seremos comuns. Ou até piores que os comuns.