terça-feira, 23 de junho de 2026

Dia #9 - Atravessando as montanhas

 Haiti é uma palavra que vem da língua indígena Taína e significa "Terra de Montanhas". E era exatamente uma, ou várias, montanhas que a Seleção precisava transpor nesse jogo.

Com todo respeito por tudo o que representa a classificação dessa pequena ilha ao Mundial, deixando de fora nomes mais "tradicionais" no futebol como Costa Rica e Honduras, vencer o time do país mais pobre das Américas não era a principal montanha que o Brasil precisava atravessar.

Mauro Pimentel / AFP

A montanha da desconfiança é muito maior.

Críticas de um país que cresceu sendo chamado de o país do futebol, mas que não se vê no papel de maior de todos já há 24 anos. E nunca soubemos passar tanto tempo assim, desde que ganhamos a primeira vez.

Bom, mister Ancelotti trouxe duas mudanças: Matheus Cunha no lugar de Igor Thiago, e Danilo no lugar de Ibañez. Nada de Endrick.

O jogo começou ainda assim tenso. As montanhas ainda pareciam vários Everests. Até que Bruno Guimarães começa a arriscar enfiadas entre os zagueiros que criam ocasiões pro nosso ataque. Raphinha duas vezes chega bem perto, uma delas até marca, mas em ambas estava impedido. Quando aos 23 a tentativa é do lado esquerdo com Vini Jr, a jogada evolui em finalização, o goleiro espalma pro meio da área e Matheus Cunha cumpre bem o papel de centroavante, luta pelo rebote e a bola entra. Se foi dele ou não não ficou tão claro, mas importa que foi.

A montanha do primeiro gol estava vencida. Nesse momento as montanhas já ficaram com cara de colina. Mais 19 minutos, contra-ataque rápido, Vini acha de novo Cunha cortando pra esquerda na área, ele arremata e sai pro abraço.

Aqui as montanhas viraram morrinhos. Que não foram páreo pra um passe alto e profundo de Paquetá achando Vini Jr pelo mesmo lado esquerdo de sempre. Ele chuta por baixo do goleiro, e temos 3x0 ainda no primeiro tempo.

Na volta da segunda etapa, a expectativa era de pelo menos mais 3. Rayan tinha entrado no lugar de Raphinha, machucado. Mas quem cresce são as montanhas haitianas novamente.

Reuters/Mike Segar
Brasil deu poucos chutes, com pouca direção. Aos 20, Martinelli e, finalmente, Endrick entram. Levam mais perigo.

Gabriel Martinelli põe uma bola no travessão depois de passe de calcanhar de Vinícius.

Quando aos 32, Rayan acha Endrick na entrada da área, ele recebe e fuzila no meio das pernas do goleiro, e sai comemorando. O Brasil inteiro junto. Porém, algo como meio palmo de adiantamento leva o bandeirinha a anular o gol. Meio palmo...

No fim, foram só os 3 do primeiro tempo mesmo. As montanhas foram transpostas, mas por trilhas mais difíceis que se imaginava.

O que fica é que foi bom ver os novos em campo. Rayan chegou sem avisar. Endrick marcou um gol que não foi, e por muito muito pouco. As montanhas ainda existem. Mas pela primeira vez em muito tempo, parecem escaláveis.