sábado, 26 de junho de 2010

Dia #14 - Grupo E - Holanda, Japão e os aprendizes de Zico


Depois da desclassificação da Itália, este dia não poderia proporcionar mais nenhuma grande surpresa. Um jogo seria confronto direto por vaga, o outro para treinar a Holanda.

Foi o que aconteceu. Até esta rodada, a Laranja está muito longe de ser mecânica, parecendo mais uma mexerica ainda verde no pé, vencendo mais não convencendo. E Camarões, já desclassificado, vinha apenas pela honra.

E o jogo não teve graça nenhuma. Não é que tenha sido um jogo horroroso, mas foi desinteressante. Todo mundo foi assistir Japão e Dinamarca (mesmo quem deveria ter visto outro), pois lá teve emoção e bom futebol. Para não dizer que nada foi relevante, teve a entrada de Robben, e a participação dele no segundo gol. Eto'o até chegou a empatar de pênalti, para não passar em branco. Mas foi só.


A grande jogo foi mesmo Japão e Dinamarca. O time japonês está ganhando muita confiança conforme avança o mundial. E não é para menos. Honda e Endo, a dupla responsável pelas ações de ataque da equipe, é muito habilidosa, tem muito talento, e sabe usar bem. Ambos cresceram no Japão dos anos 90, que viu o crescimento do futebol através de um embaixador muito especial: Zico. Endo chegou a trabalhar com o galinho na Copa passada, mas é evidente que ambos aprenderam muito com ele.

O primeiro gol, de Honda, de falta pelo lado aos 17'. A Jabulani teve endereço direto para rede, sem aprontar das suas, e com o goleiro dinamarquês se posicionando mal. O time manteve o domínio, e Endo fez mais um aos 30', de falta outra vez, agora frontal. A perfeição não é a mesma, mas ninguém duvida que os alunos usaram da concentração oriental para estudar e treinar os ensinamentos do mestre, e os aplicaram muito bem.

A Dinamarca tentava se recompor. Tomasson, Rommendal e o grandalhão Bendtner tentavam organizar o ataque, mas esbarravam na própria afobação. No segundo tempo, o técnico Molten Olsen colocou mais dois atacantes, encheu e área japonesa e abusou de levantamentos na área, sem sucesso. Conseguiu apenas um pênalti aos 35, convertido.

O 2 x 1 não intimidou o Japão, que jogava no contra-ataque usando da tradicional velocidade asiática. E numa dessas jogadas, mais uma vez Honda desequilibrou. Deu um drible dentro da área, digno de jogador sulamericano (como diz Birner aqui) ficou cara-a-cara com o goleiro. Mais uma vez mostrou uma personalidade digna de Zico, não foi fominha, e passou para o companheiro que estava na cara do gol só empurrar.

Classificados

1 - Holanda
2 - Japão

Dia #13 - Grupo D - Alemanha, Gana, e os irmãos Boateng

Infelizmente, entre os 2 maiores destaques desse grupo não está o futebol. Os quatro times tinham chances de classificação, e para fazer isso com tranquilidade, tinham que vencer.

Mas a ofensividade só apareceu mesmo com os que tinham menos chance, a Austrália. Pela primeira vez o futebol estilo holandês encaixou (um pouco tarde). No primeiro tempo, A Sérvia até criou algumas poucas chances, tendo inclusive um gol bem anulado. Porém, não conseguia usar suas duas principais estrelas, Stankovic (muito recuado) e Vidic.

No segundo tempo, os times entenderam que eram 45 minutos para evitar o pior, e o jogo ficou interessante. E foi quem tinha menos chance que tomou as rédeas do jogo. Os Socceroos se lançaram na ofensiva, e conseguiram abrir o placar com Cahill, de cabeça. Neste momento foi a vês dos Sérvios se lançarem ao ataque buscando o empate, porém quem se aproveitou disso foi a própria Austrália, que ampliou com Holman com um bom chute da intermediária, contando com uma ajudinha do já conhecido poder sobrenatural da Jabulani.

O resultado deu moral para o time da Oceania, mas ainda era pouco para tirar a goleada da primeira rodada. E os Sérvios se acalmaram, se organizaram e impuseram a melhor técnica. E diminuíram com Pantelic aos 39, após rebote do goleiro Schwarzer, que até então vinha muito bem.

Nesse momento cada time precisava de 2 gols. Mais uma vez os Sérvios pressionaram e marcaram, mais uma vez em impedimento. No fim teve muita pressão, mas nenhum gol legal. E as duas nações morreram abraçadas.


No outro jogo, os destaques de que comentei antes. O primeiro, a linda camisa preta do time alemão. Aliás, os dois uniformes alemães são muito bonitos. E o outro, o "caso Boateng". Em Gana, estão dois Boatengs (Prince e Derek, que não jogou), mas que não são parentes. E na Alemanha ainda tem Jerome Boateng, meio irmão de Prince. Ambos são filhos do mesmo pai, que é ganês, e nascidos em terras germânicas. Cada um escolheu jogar de um lado.

O irmão ganês recentemente ficou famoso por tirar Ballack da Copa, e desde então o irmão alemão não falou mais com ele. Mas parece que teve um perdão na hora do jogo, e eles até que se deram bem. No fim, tudo vai virar história para os netos mesmo, e estes vão inclusive ser primos.

O jogo mesmo, muito morno. Cacau jogou no lugar de Klose, trouxe velocidade, mas pouca objetividade. Carlos Simon, o juiz brasileiro, deu muitas faltas no começo que inclusive irritaram muito as equipes, devido ao jogo muito pegado. Gana conseguiu algumas jogadas com Ayew nas costas de Boateng (sempre ele), mas nada que trouxesse grande perigo, pois a pontaria africana estava muito ruim.

O gol veio num lance isolado. Na única falha de marcação ganesa no meio de campo, Özil chutou da intermediária, e abriu o placar. O goleiro nada pode fazer.

Faltavam 30 minutos para acabar o jogo. Os ganeses a princípio até pressionaram no ataque, mas conforme o tempo foi passando diminuíram o ritmo. Quando souberam do resultado de 2 x 1 na outra partida, tiraram o pé de vez. E o fraco 1 x 0 classificou os dois times, e garantiu mais um pouco de assunto no jantar de Natal da família Boateng.

No fim, a impressão que se tira é que aquela Alemanha bicho-papão da primeira rodada já não existe mais.

E para sorte de Blatter e da Fifa, ao menos uma seleção africana passou para as oitavas na Copa da África.

Classificados:

1 - Alemanha
2 - Gana

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Grupo C - Estados Unidos, Inglaterra and the *Injury time!


Quem diria que a maior emoção da Copa até agora seria proporcionada justo por eles? Falar depois é fácil, mas eles eram minha maior aposta para maior surpresa do mundial.

Mas, respeitando a tradição, começo pelo outro jogo.

A Inglaterra precisava se redimir, e a tarefa, no papel, era relativamente simples. Na realidade, relativamente difícil. A Eslovênia entrava em campo como líder do grupo, precisando de um simples empate para se classificar, mas foi covarde.

Cappello tirou o contestado Heskey e veio com Defoe, tentando dar agilidade o time. E conseguiu resultado logo no primeiro tempo: após cruzamento da direita, o baixinho atacante se antecipou de maneira perfeita em relação ao zagueiro, e empurrou para o gol, dando mais tranquilidade para os ingleses. Rooney jogou um partida muito melhor.

Porém, acabaram abusando um pouco dessa tranquilidade, e não marcaram mais. Rooney jogou uma partida muito melhor, mas ainda muito aquém do que poderia, assim como Gerrard. No final, ingleses acabaram passando muito mais nervoso do que o necessário. A Eslovênia teve uma chance de empate com mais de 40 minutos do segundo tempo (aliás foi a única jogada deles em todo jogo), mas não fez. E o jogo acabou 1 x 0.

Enquanto isso, no outro jogo o começo foi muito movimentado. A Argélia deu dois chutes nos 5 primeiros minutos, acertando um no travessão. Aos poucos, os americanos tomaram a iniciativa do ataque do seu modo, puxando contra-golpes rápidos. Porém, o centroavante Jozy Altidore não estava num dia muito bom, e perdia bolas fáceis e chutava por cima.

Aos 19, o time americano já era melhor. Após mais uma trapalhada do atacante Altidore num rápido contra-ataque, a bola sobrou para chute de Gomez em cima do goleiro. No rebote, ele cruzou na pequena área encontrando Dempsey, que mandou para o gol. Como num infeliz deja-vu, o juiz apitou de braço erguido para cima, seguindo o que fizera o bandeira, anulando o tento sob alegação de impedimento. O lance era difícil, e não era irregular.

Sendo difícil ou não, a verdade é que mais uma vez os EUA tinham sido prejudicados pela arbitragem. O sentimento de revolta passou a dominar o time, e isso trouxe o nervosismo junto.

O time americano manteve o domínio no restante da partida. Em raras situações a Argélia conseguia chegar, porém sempre com perigo. Mas os erros decorrentes da afobação e do azar americano estavam causando um desclassificação dramática e não merecida. Dempsey protagonizou um lance inacreditável, tirando do goleiro duas vezes na sequencia, um na trave direita e outra fora do lado esquerdo. Bradley, Altidore e Felhaber ainda tiveram chances claras.

Aos 45 minutos e meio, boa jogada africana resultou em cabeçada perigosa defendida por Howard, dando um calafrio na nação americana. Na reposição de jogo, o goleiro lançou Donovan, que liderou um veloz ataque de 5 contra 2, e lançou Altidore, que em chute vindo direita perdeu mais uma grande chance. O goleiro argelino espalmou para o meio. Caprichosamente, a Jabulani procurou a estrela de Donovan, se colocou à frente dele esperando ser empurrada para o gol. E repousou lá no fundo das redes.

Em mais um drama hollywoodiano, os Estados Unidos explodiram em exultação e estavam classificados, em primeiro do grupo.

Na outra partida, já encerrada, os eslovenos caminhavam lentamente para o vestiário após um jogo em que eles terminaram classificados, quando receberam a notícia que iriam tomar o último banho em solo africano. Foi punida a covardia, e recompensada a determinação e a perseverança, o "Yes We can!". E o chefe-mor inclusive mandou congratulações oficiais.

Aqui manifestação de Donovan no FB. Neste link pode ser encontrado este vídeo abaixo que circulou na rede hoje. Possui um compilado de comemorações ao redor do mundo no momento do gol.



Classificação:

1 - Estados Unidos
2 - Inglaterra


(*Corrigido! Extra time seria prorrogação)

Dia #12 - Grupo B - Argentina, Coréia e o gol perdido



Neste grupo, estava fácil saber quem ia ficar em primeiro, a dúvida para os argentinos
não era essa. Era se o Messi ia ou não fazer gol.

Para os demais, a pergunta era quem ia levar a segunda vaga. E durante os 90 minutos, os três chegaram a ter a vaga na mão.

A Argentina vinha com 7 mudanças no time. Maradona quis colocar todo mundo para jogar. O que mais me chamou atenção, na verdade, foi uniforme azul mais escuro, muito bonito. No jogo, a cadência argentina era a mesma de sempre. A Grécia é que vinha com um comportamento covarde, sem tentar nem os tradicionais contra ataques seguidos de cross na área.

Messi era o motor da equipe, mas estava visivelmente incomodado pelo fato de não conseguir marcar seu gol. Criou muito, chutou bolas incríveis o goleiro pegou coisas que nunca mais pegará na vida. A Jabulani está mostrando outra vez todo seu orgulho, parecido com o que fez com Cristiano Ronaldo. Só que ainda não deixou Messi brilhar mais que ela.

No segundo tempo, após muito tentar, veio o gol argentino: em jogada de escanteio, Demichelis cabeceou, Milito (é, do mesmo time mesmo) tirou, mas no rebote o mesmo Demichelis mandou para a rede. Maradona então trocou o ataque, colocando em campo ninguém menos que Martin Palermo, aquele dos 3 pênaltis. E o cara teve estrela, e ampliou o placar. El Pibe virou para a tribuna de imprensa e fez um sinal do tipo "E agora, vai falar o que?", devido às intensas críticas que recebeu pela convocação do atacante. Foi um caso meio parecido com o Luizão em 2002, pois foi ele que fez os gols que classificaram o país para a Copa.

Até o Palermo marcou, e Messi não. E Maradona já utilizou todos os seus jogadores de linha.


No outro jogo, a Nigéria saiu ganhando, resultado que classificaria a Grécia (que estava 0x0 no momento). Os africanos foram muitos mais ofensivos, mas pouco efetivos. A Coréia do Sul aplicou o futebol rápido e bom em bolas paradas, e acabou virando no início do segundo tempo. Com este resultado, ela estava classificada.

Neste momento, aconteceu o lance mais incrível deste jogo. Yakubu recebe uma bola na pequena área, sem goleiro, e chuta para fora. Merece o vídeo:



No fim, ele ainda empatou de pênalti. Mas nessa altura, a Grécia já perdia para a Argentina, classificando ainda os coreanos. Se vencesse, a Nigéria passava. Aquele gol fez uma falta..

Classificados:

1 - Argentina
2 - Coréia do Sul

Dia #12 - Grupo A - Uruguai, México e o Vexame


Nessa rodada de definições, as análises serão feitas aos pares.

E o Grupo A foi o grupo do vexame, e todos sabem bem o porque.

Esse time francês protagonizou certamente o maior vexame em história da copas. Nem foi o pior resultado, pois em 2002 numericamente foi pior. Os fatos são dignos do ridículo: expulsão de jogador do elenco, briga do capitão com o auxiliar técnico, corte de patrocínio no meio da competição, visita de ministro, e culminando com o papelão que Domenech fez ao não cumprimentar Parreira. Que absurdo.

Bom, no futebol, não poderia ser diferente. Os Bafana Bafana entraram em campo em defesado orgulho nacional, e os franceses em defesa de nada. Assim, dois gols mais do que merecidos dos africanos, em uma partida que eles dominaram do começo ao fim, e talvez até merecessem sorte melhor e a classificação. Mas, como vale o desempenho em toda a competição, foram punidos pelas desatenções do primeiro jogo. Meu destaque deste time será Tshabalala, pela personalidade que teve no primeiro jogo e pela participação neste contra Les Bleus. Estes, aliás tiveram um golzinho mixuruca marcado por Malouda, que só serviu para ajudar um cronista de tv a dar apelido: Time do 1: 1 gol, 1 ponto e 1 vexame...


No segundo jogo, Uruguai foi fantástico e mesmo tendo a vantagem, foi para cima do estranho México. Digo estranho porque pelos lances que vi e relatos que li, foi um time completamente diferente do que jogou os outros jogos, no que diz respeito à atitude. Se a África do Sul tivesse contido um pouquinho sua euforia, teria feito mais gols na frança, e mandado Aguirre e seus comandados passar férias com o Chaves em Acapulco.

A vitória por 1 x 0 gols de Suarez foi justa, e coroou esta fantástica campanha Uruguaia, que não liderava um grupo há 56 anos e não ia às oitavas há 20.

Classificados:

1 - Uruguai
2 - México

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dia #11 - Espanha 2 x 0 Honduras - Ta demorando para deslanchar...

Mais um jogo da Espanha, mais um jogo repleto de expectativas, mais um jogo decepcionante. Qual seria o motivo do freio de mão espanhol estar puxado? Estaria o excesso de expectativas atrapalhando a Fúria?

Difícil dizer. O fato é que tivemos outra partida teoricamente fácil da Espanha com sofrimento desnecessário. E não foi um sofrimento de medo de perder, pois mais uma vez o time dominou a partida jogando futebol consistente. É um sofrimento pelo fato de não conseguir transformar isso em resultado, ou melhor, pelo fato de não espelhar através do resultado o que esta Espanha realmente joga.

A Fúria vinha com Torres e Jesus Navas nos lugares de Iniesta e David Silva. O time é o mesmo, continua bom, continua criando, continua chutando, mas erra demais! Até que saísse o gol de Villa (uma pintura por sinal), e mesmo depois, foi um festival de gols perdidos. No total, foram 22 chutes! Esse excesso de expectativa faz os espanhóis pecarem demais no último toque.

Honduras veio para assistir. Suazo teve sua chance de jogar, mas pouco fez. Na segunda etapa, o jogo continuou dominado pela Fúria. Logo aos 5, Villa outra vez marcou. E depois, ainda teve um pênalti, em que ele demonstrou mais do que nunca a instabilidade espanhola e chutou para fora por centímetros.

Será que esse time oferece mesmo risco à Seleção?

Dia #11 - Chile 1 x 0 Suíça - Finalmente furaram o muro anti-jogo

Este jogo teve cobertura especial. Este blog apresenta o relato do nosso corresponde internacional Guto Catoia, direto de Santiago de Chile. Guto é brasileiro e estuda jornalismo na Universidad Catolica de Chile e traz o comentário do jogo com um pouco da empolgação que os chilenos estão vivendo com a sua equipe no mundial.

Possivelmente, era o principal jogo do grupo. Chile e Suíça, devido ao “favoritismo” espanhol, são (ou eram, quem sabe...) os dois principais concorrentes para a segunda vaga nas oitavas. Por isso, já era de esperar um jogo pegado e tenso.

De um lado do campo (ou ringue?), os baixinhos e ligeiros chilenos, que nesta copa apresentam uma proposta do jogo ofensivo e firuleiro. E do outro lado, os grandalhões e corpulentos suíços, partidários da retranca absoluta e da marcação dura, praticamente onze judocas.

No jogo em geral, o cenário foi o seguinte: os suíços, inoperantes no ataque, aguentavam com firmeza as tentativas ofensivas chilenas, respondidas com uma marcação muito dura. Os europeus derrubavam os chilenos com facilidade, e o time de Bielsa retrucava. O resultado foi que tivemos um festival de cartões amarelos, enfeitado com um cartão vermelho aos 30 do primeiro tempo, quando Behrami, em um show de cavalaria, distribuiu puxões e “braçadas” em Beausejour e Vidal em menos de 15 segundos.

Fora isso, no primeiro tempo, em suas poucas chances de gol, o Chile esbarrou em Benaglio, que mostrou segurança quando exigido. E foi exigido pouco, porque a retranca suíça estava lá, intocável. Já o ataque europeu limitava-se a tentativas de tirar uma lasca de alguma falha adversária. Quando o único erro aconteceu, após um passe estranho de Isla perto da área, foi desperdiçado.

Mas nada como um tempo após o outro.

Na segunda etapa, Bielsa mostrou genialidade nas substituições. Trocou Valdivia por um apático Suazo, González por Vidal e Paredes por Fernández. E foram justamente esses 3 jogadores que definiram o rumo da partida com destaque para Paredes, que no pouco que esteve em campo, fez estragos na zaga adversária.

O time logo ganhou poder ofensivo e abriu o placar aos 3 minutos, com chute de Sanchez desviado em González. Pena que o gol foi anulado. Mas o Chile não se abateu, e continuou pressionando.

Até que aos 30', num contra-ataque fulminante, Valdivia lança Paredes na lateral, que, após driblar Benaglio, cruza na medida para que González, de cabeça, abrisse efetivamente o placar. Bem que Lichtsteiner tentou evitar o gol, mas não conseguiu.

Só a partir desse momento que, na base do desespero, a Suíça resolve atacar de verdade. E de novo, como no jogo contra Espanha, Derdiyok (que entrara há pouco tempo, no lugar de Nkufo) desperdiça uma ótima chance no final do jogo. Só que desta vez, sem por a culpa na trave; o atacante chutou muito mal, mesmo.

No fim, venceu o jogo ofensivo e firuleiro dos baixinhos chilenos. E mostrou que o ditado “A defesa é o melhor ataque” é traiçoeiro e nem sempre tem razão.

E digo uma coisa: a Espanha que se cuide. Já que o Chile anda mostrando que não é nada bobo...


Só para complementar, queria falar do recorde finalmente encerrado da Suíça, que ficou 550 sem tomar gol em copas. Eles praticam um anti-jogo horroroso, que faz mal para o esporte. Para o bem do futebol, espero que não se classifique.

E destaco ainda que o Chile perdeu muitas chances de gol. Nesse grupo que pode ser decidido no saldo, pode fazer falta no final. Veja comentário sobre isso no Blog do Marcelo Salas, atacante chileno na Copa de 98.

Interesante também é o comentário de Rodrigo Goldberg, sobre a entrada de Valdivia no jogo mudando a cara do time.

As fotos abaixo foram publicada pela TVN, rede de televisão estatal antes e depois do jogo. Sensacional!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dia #11 - Portugal 7 x 0 Coréia do Norte - Ketchup português

É, parece que o cara acertou. Disse que quando os gols saíssem, ia ser que nem Ketchup, sairia tudo de uma vez. Essa expressão não muito comum de Cristiano Ronaldo, se concretizou, ao menos no que diz respeito à avalanche de gols.

Para este jogo, novamente pedi ajuda de meu amigo Daniel Goldener que acompanhou de perto. Confesso que não pude acompanhar, vi somente o 6o. e o 7o. gol.
Lá vai:

Ainda sob o impacto do falecimento de seu ícone literário, Portugal entrou em campo de luto, com um faixa preta ostentada no braço direito. Nada que tenha afetado o seu futebol, ora pois. Pelo contrário. Das lembranças póstumas de Saramago, incorporou-se ao time português a inspiração e a criatividade do grande mestre.

Abatida mesmo era a Coréia do Norte. Não por Saramago, mas sim por conta de seu técnico. Depois de segurar um placar apertado contra a seleção brasileira, o treinador norte-coreano se empolgou. Contra Portugal, ele desarmou a retranca, e mudou o esquema de jogo do time. Um erro fatal. Uma bomba atômica nas ilusórias pretensões desta seleção na Copa.

O primeiro tempo do jogo foi de muito estudo e tensão. As duas seleções tinham que vencer para viabilizar seus objetivos no torneio. No começo, a Coréia do Norte ameaçou os portugueses, trazendo uma emoção ao jogo. Apenas um fogo de palha. Aos poucos, os lusitanos encaixaram seu estilo de jogo. Na figura de linguagem, os portugueses foram desarmando os norte-coreanos. Chutes na trave, no gol, perto do gol. Essas eram as armas portuguesas. Apesar de um bom jogo até então, o placar parcial foi 1x0, gol de Raul Meireles.

No segundo tempo, fez-se história. Remetendo ao famoso duelo entre Portugal e Coréia do Norte na Copa de Mundo de 1966, na Inglaterra. Naquele fatídico 5 x 3, o pantera Eusébio desequilibrou e marcou quatro gols. Na verdade, não sei se o problema dos norte-coreanos é a seleção portuguesa ou o próprio Eusébio, já que ele estava presente no estádio para ver repetir, com juros, o episódio que outrora protagonizara.

Os portugueses voltaram com apetite. Os norte-coreanos, com ousadia. Que se traduziu em atrevimento, e que resultou em tragédia. Para eles. A seleção de Portugal, com muita facilidade, chegava ao gol adversário e trocava passes na intermediária de ataque. Jogava um futebol simples e objetivo. Começou então uma sequencia de gols que parecia interminável. Na verdade, um círculo virtuoso. A cada gol português, aumentava o desespero norte-coreano, que por sua vez dava mais espaço para um novo tento lusitano. Foram sete gols, sendo seis no segundo tempo. O meio-campista Tiago, que entrou no lugar de Deco, foi o único a fazer dois gols.

Vale dizer que em grande parte do jogo a seleção portuguesa atuou desprovida de seus talentos tupiniquins. Somente aos 30 minutos do 2º tempo entrou Liedson, que não podia deixar de marcar o seu, assim como Cristiano Ronaldo. Jogando muito bem pelos lados do campo, servindo seus companheiros e dando passes para os gols portugueses, o craque conseguiu finalmente marcar um gol para sua seleção, depois de 16 meses (ou 8 partidas).

Para a atuação norte-coreana, apesar o placar desastroso, resta ainda um grande destaque positivo. Em todo o jogo eles fizeram somente TRÊS faltas no adversário. A primeira só foi assinalada aos 12' do 2º tempo, quando o time já perdia por 4 x 0! Ou seja, a seleção da Coréia do Norte, diante de um oponente mais forte, decidiu reagir e concentrar suas forças na arma mais óbvia, o futebol. Poderia sim ter apelado para faltas, violência, tomando como exemplo a crueldade da Costa do Marfim. Mas, honrosamente, retribuíram ao esporte o que o esporte lhes proporciona: respeito. Vimos em campo um grande espetáculo de futebol, jogado dentro de suas regras, respeitado.

Esta fraca seleção norte-coreana, agora eliminada da Copa do Mundo, fez-me lembrar de uma grande lição de vida do personagem Rocky Balboa em seu último filme: o importante não é o quanto você consegue bater, e sim o quanto você aguenta apanhar, e ainda ficar de pé. Espero que seu país tal qual aprenda esta lição.


Vou fazer alguns adendos ao texto. Primeiro, dar nomes aos gols que faltam, de Hugo Almeida e Simão Sabrosa. Esse último, com direito a merchan pro McDonalds, no melhor estilo Milton Neves Cristiano Ronaldo merecia fazer logo seu gol, pelo bem da Copa do mundo, e a Jabulani sabia disso. Mas ela resolveu deixar somente após demonstrar que quem manda mesmo é ela. E caprichosamente chegou ao gol após dançar no pé dele, subir e se colocar por cima, no ponto mais alto, aparecendo depois entre o craque o gol, somente para ser empurrada. Essa bola ta demonstrando que além de tudo, é orgulhosa.

domingo, 20 de junho de 2010

Dia #10 - Brasil 3 x 1 Costa do Marfim - O time venceu e convenceu. Já o Dunga...

Esse jogo merece furar fila. Ainda devo os dois jogos da manhã aqui, mas a prestação da seleção justifica furar fila.

Depois de mais 5 dias de treinos secretos, brigas com a imprensa e polemização de coisas não polêmicas, a Seleção foi finalmente conhecer o Soccer City. O adversário, a Costa do Marfim, para muitos da imprensa e do povo era o maís difícil desta primeira fase, e vinha com o astro Drogba desde o primeiro minuto.

A formação era a de sempre. Escalada de 1 a 11, inclusive, fato que ganhou destaque na mídia internacional (aqui gazzetta.it) por demonstrar que o time é este e não tem quem mude. Gilberto Silva não tinha nada no tornozelo, e Luís Fabiano ia ter que curar sua crise existencial enfrentando a Jabulani mesmo.

O jogo começou com uma grande arrancada de Robinho, apoiado por Kaká e Luís Fabiano, contra 2 defensores marfinenses. O santista porém foi fominha e deu um belo chute de longe, que passou por cima. E essa foi a única aparição individual significativa da parte dele

A Costa do Marfim, vestida de listras horizontais no estilo de uniformes de rugby, se impôs no primeiro quarto de jogo, com mais posse mas sem levar muito perigo. Kaká tinha dificuldades para desenvolver suas arrancadas, Elano não agregava nada, Gilberto Silva e Felipe Melo destruíam bem, porém sem saber o que fazer depois. Yaya Touré e Eboue movimentavam a Jabulani na intermediária brasileira esperando que Drogba se livrasse da marcação, mas isso era difícil de acontecer. Inclusive, na primeira disputa fora da área entre ele e o capitão Lúcio, o zagueiro canarinho tratou logo de dar um pancada no braço machucado do africano.

Esse domínio africano durou até os 24', quando se encaixou a primeira triangulação do trio ofensivo brasileiro. Kaká manteve o domínio e lançou milimetricamente para Luís Fabiano bater forte para o gol do bico da pequena área. Um chute com raiva, que estufou a rede e levou consigo toda a urucubaca que deixou o atacante num jejum de mais de 450 minutos sem marcar. Daí em diante, o Brasil equilibrou o jogo, e nenhum dos dois times criou chance real até o intervalo.

Na segunda etapa, o Brasil veio com mais ímpeto de jogo. Logo aos 5 minutos, veio a pintura do dia: o camisa 9 brasileiro ganha disputa no alto matando a Jabulani involuntariamente no braço, dando um chapéu no primeiro defensor, outro no segundo, e driblando o terceiro numa matada de peito, e que de longe parece que foi mesmo no peito, mas de perto todo mundo viu que foi de *bíceps muito voluntário. Houve muitas reclamações dos marfinenses, mas como o juiz era francês, e com diz Gustavo Poli, na França com a mão vale, obviamente ele não deu nada. Ele ainda perguntou para o Fabigol, o qual de maneira marota falou que foi no peito.

O fato é que esse gol deu a confiança para os brasileiros, e fez os africanos se descontrolarem. Começaram a disputar a bola de maneira desleal, mostrando as travas da chuteira mais de uma vez. Kaká chegou até a levar um ippon. Mas quando conseguiu escapar uma vez pela esquerda, chegou na linha de fundo e cruzou para a marca do pênalti. Elano antecipou o zagueiro e mandou a Jabulani para dentro, e comemorou mostrando as caneleiras com o nome das filhas.

E estas caneleiras o salvaram de dar adeus à copa mais cedo: Tiote entrou com os cravos da chuteira em riste, deixando as marcas na meia do jogador. Ele teve que ser substituído, saindo de maca. Mas foi só um susto mesmo.

Aos 34 minutos, Gervinho, que acabara e entrar e dera uma cara muito melhor ao ataque africano, escapou em contra-ataque numa corrida de uns 70 metros, achou Touré livre um pouco atrás, e este cruzou na medida para a entrada de Drogba por trás de Felipe Melo. Era o primeiro africano gol sofrido pelo Brasil em copas.

Os 11 minutos que seguiram foram bastante disputados, mas esquecendo a Jabulani. Os Marfinenses liderados por Tiote distribuíam pancadas nos jogadores brasileiros, sem nenhum pudor, sob os olhares do árbitro francês Stephane Lannoy. Contei ao menos 3 jogadas de solada intencional. O anseio deles era desestabilizar o Brasil, e quem caiu na armadilha foi Kaká. Levou um primeiro cartão por falta boba, e um segundo teve um choque com o adversário que caiu no chão fazendo um grande teatro. O juiz francês era muito fraco, e não soube aplicar o mesmo critério para os dois times. Kaká não merecia ter sido expulso.

No fim, o saldo foi positivo para o Brasil. A Seleção venceu, convenceu, com lapsos futebol arte, mas sempre bastante efetivo. se diziam que a Copa não tinha favoritos, agora tem.

E para quem pensou que quando o juiz apitou a diversão tinha acabado, se enganou de verde e amarelo! Dunga resolveu levar sua implicância com a imprensa a níveis mais altos. Durante a coletiva, parou de responder uma pergunta para tirar satisfações com outro repórter (Alex Escobar, o dos palpites da Globo), diferente daquele que o tinha questionado. Como se não bastasse, ficou balbuciando palavrões contra ele enquanto os outros perguntavam, e na saída resolveu ir tirar satisfações. Completamente desnecessário, ele já está passando dos limites. Manchou um vitória incontestável, que só serviria para calar todos os críticos.

Só para mostrar como ele podia só viver do sucesso, olhem esse comentário daquele cara da Sports Illustrated:

"I'll just come right out and say it: Brazil's winning this thing--the whole thing."

E PVC, antes crítico do time baseado no futebol defensivo:

"Quem precisa de contra-ataque? Agora é o Brasil da posse da Jabulani" (mudei uma palavrinha aí para não insultar a personagem desse blog)

Mas não, ele quer manter a polêmica. Vamos ver até onde isso vai.

Voltando para a análise, Brasil e Argentina são as únicas equipes que demonstraram padrão de jogo e ímpeto para vencer. Como disse Benjamin Back, nessa Copa somos nós e eles, o resto é resto.

E por fim, só uma menção honrosa ao Trending topics do twitter, que não faço já há um bom tempo: durante jogo, chegou na lista dos 10 mais mundial a expressão "Juiz Ladrão". Com razão.

Sexta-feira tem mais, no capítulo contra Cristiano Ronaldo.


*Corrigido, foi de bíceps!

Dia #10 - Itália 1 x 1 Nova Zelândia - Zebra de dimensões paquidérmicas

A seleção campeã do mundo emapatou com a Nova Zelândia. Impressionante

A Itália tem 9 jogadores com mais de 30 anos, sendo que seu capitão tem 36. Não existe quem me convença de que isso vale a pena.

Lippi agora está sofrendo na pele o fato de ter deixado Giuseppe Rossi e Marco Boriello em casa. E para piorar, a escolha boa que ele levou, que é Di Natale, deixa no banco. O artilheiro da Serie A, com a expressiva marca de 29 gols, tem muito mais capacidade que o titular Iaquinta.

Mas a crise italiana é tão grande, que nem a função em que historicamente é imbatível, a defesa, é confiável. E isso se mostrou rapidamente no jogo contra os fracos All Whites: falta batida na área, houve um desvio no meio do caminho, e o capitão Cannavaro falhou mais uma vez (repetindo o jogo contra o Paraguai), Ainda que em impedimento, apareceu Smeltz para emprurrar para dentro. Marchetti, substituto do machucado Buffon, nada pode fazer.

Todo planejamento da equipe se foi. A Italia teve que ir construir novamente o resultado. Abusava de cross na área, mas claramente falta uma ligação da defesa com o ataque. De Rossi joga muito bem, mas sozinho não é capaz de ser criativo. Marchisio e Montolivo tem potencial, são esforçados, mas não têm conseguido render o que se espera. Pirlo faz muita falta.

E Pepe foi o maior erro de Lippi nesta Copa. Só se deu bem na temporada por ter um bom entrosamento com Di Natale na Udinese. Colocá-lo em campo sem o companheiro é desperdiçar um jogador.

O gol foi achado: pênalti mal marcado pelo juiz hondurenho. Iaquinta bateu e empatou aos 30' do primeiro tempo.

Daí para frente, a única coisa que merece ser comentada é a bravura defensiva neozelandesa. Defenderam com conetração, sem inventar, tirando da própria área com chutão. A Squadra Azzurra, que no papel tem mais recursos, era nula na criação. Abusava de cruzamentos. Quando entrou Di Natale, ele mesmo pouco fez.

No fim, um ataque dos neozelandeses em cima outra vez de Cannavaro quase deu números inacreditáveis à partida. Se bem que esse empate já é difícil de acreditar.

No fim, euforia de uns e amargura de outros. Qualquer Nonna italiana acreditava antes da Copa que nesse momento estaria comemorando a classificação. Agora, terão que apelar para a matemática.

Existem 2 razões para os italianos não estarem com sensação de catástrofe surprema. O primeiro, é que na copa de 82, quando venceram, o time empatou os 3 primeiros jogos jogando futebol medíocre. (Mas o material humano lá era bem melhor). O segundo é que a eterna rival França está bem pior.

Mas, como disse Milton Leite na transmissão do Sportv, foi uma zebra de dimensões paquidérmicas.

Dia #10 - Paraguai 2 x 0 Eslováquia - América do Sul é a protagonista da Copa da África


Esse resultado do Paraguai consolida a exemplar prestação da América do Sul na copa da Africa do Sul. Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, e o próprio Paraguai fizeram até este jogo uma campanha de 6 vitórias e 2 empates. Considerando que faço essa análise na segunda feira de noite, temos mais duas vitórias (Brasil e Chile), o que melhora ainda mais essa estatística.

O melhor disso é que todas estas seleções conquistaram seus resultados com um futebol jogado para frente. Ainda que não podemos chamar de "ofensivo" como gostaríamos, é um jogo que busca mais o gol quando comparado à média das demais seleções do mundo.

O Paraguai, como destaca PVC, joga num 4-4-2 com 3 atacantes: Valdez, Roque Santa Cruz e Lucas Barrios. Eles se revezam na linha de frente, formando o que eu chamei de "carrossel paraguaio", tão paraguaio que um deles (Barrios) é falsificado! Mas que constrói chances e tem poder de concretizá-las.

Como nem tudo é perfeito, o futebol é jogado para frente, até que o resultado é construído. Tanto que o volante defensivo Vera é quem abre o placar. Mas a partir daí, os guaranis se concentraram na defesa saindo em contra-ataque com sua dupla de 3 atacantes.

No segundo tempo, a Eslováquia até tentou esboçar uma reação. Mas seu principal representante, o napolitano Hamsik ficou em Napoli comendo pizza, não veio para a copa. Teve outra atuação decepcionante, e sem seu melhor jogador, não tem como reagir.

No final, a persistência paraguaia foi premiada com outro gol de volante, quando Riveros pegou uma sobra fora da área e guardou.

Um empate poe o Paraguai nas oitavas. Eu acho que passa inclusive em primeiro.

Dia #9 - Dinamarca 2 x 1 Camarões - O melhor jogo da Copa até aqui

Que jogo!

Os dois times precisavam do resultado. A frieza da Dinamarca era bem previsível, com um time muito fechado atrás e saindo em contra-ataque forte. O imprevisível seria a Camarões. Da primeira para a segunda partida o elenco se rebelou contra o técnico francês Paul Le Guen, e realizaram diversas mudanças de jogadores (3) e de posicionamento no time. O técnico assumiu os erros do primeiro jogo, e deixou que os jogadores se organizassem.

Eto'o jogava mais avançado, mais próximo de Webo. Reclamou que no jogo anterior ficou muito longe, na lateral direita o jogo todo. E essa mudança deu bastante certo. O time de Camarões criava muitas chances de gol, demonstrava uma vontade incrível de vencer. A marcação inclusive era no campo de ataque, na pressão, forçando erro dinamarquês. E foi assim que saiu o gol: passe bisonho do juventino Poulsen na defesa, a Jabulani cai no pé de Webo, que passa para Samuel Eto'o e ele fez jus à fama. Fantástica foi a expressão facial durante a comemoração. Achei um vídeo do globoesporte.com onde da para ver isso de um ângulo bem legal:



Tomado o gol, a Dinamarca aprendeu a lição e parou de errar na defesa. E principalmente, saía para o contra-ataque de maneira muito veloz e com passes precisos. Foi uma aula de contra-ataque, premiada a primeira vez aos 33' em excelente escapada por trás da zaga de Rommendahl. Em dois toques ele cruza no meio e encontra Bendtner chegando de carrinho também por trás da zaga. Jogo empatado.

O resultado era injusto pelo esforço e pela vontade ofensiva de Camarões, mas justo pelo pecados na defesa, pois a atenção deles atrás era nula. Rommendahl chegou mais duas vezes com muito perigo, uma delas com o zagueiro salvando uma bola em que o goleiro Souleymanou já estava vencido.

A vontade de vencer africana superava ofuscava qualquer defeito. Antes do intervalo, tiveram mais 2 chances de gol muito claras, uma de Emana salva pelo goleiro e outra em um chute bem dado de Eto'o, que caprichosamente pegou no pé da trave. Sem sombra nenhuma de dúvida o melhor primeiro tempo da Copa.

Para o segundo, o ritmo não mudou. Antes do primeiro minuto Camarões teve uma cabeçada perigosa de em jogada de escanteio. Em seguida, um chute dinamarquês de fora da área e uma chance clara para Webo, que exigiram trabalho dos respectivos goleiros.


Mas um erro tático básico de cobertura foi o que traiu a nação africana. A Dinamarca tinha uma avenida à sua disposição, pois o lateral esquerdo Assou-Ekotto (no. 2 na figura acima que presenta o local onde cada jogador mais ficou segundo dados da Fifa) não tinha cobertura, ao contrário do lado direito com Geremi (8) e Mbia (19). Em mais um contra-ataque por ali, Dennis Rommendahl (que para José Torero, era o Bip Bip correndo do coyote) recebeu nas costas, e dessa vez cortou para dentro e colocou no canto oposto, determinando a segunda virada dessa Copa, a segunda sobre seleções africanas. Para quem gosta, uma análise tática mais profunda do jogo pode ser lida no Zonal Marking.

Daí para o fim, os nórdicos da terra do Lego montaram um muro com as peças muito bem encaixadas, e os de Camarões o tentavam desmontar de todo jeito. Contei no compacto do jogo mais de 7 lances de gol para eles, e mais 3 para os europeus, tudo isso após o placar estar em 2 x 1. Nessa parte do jogo, a peça chamada Sorensen, com a número 1 nas costas pareceu mais com aquelas maiores e interiças que dão a base para o castelo. E que os africanos não conseguiram transpassar.

Mesmo com 23 chutes e 7 escanteios (contra 13 e 2 dos dinamarqueses), Camarões é a primeira seleção a ser matematicamente eliminada, e a Holanda (sim, ela que nem no jogo estava) a primeira classificada. Punição pelo jogo ruim contra o Japão.

O jogo por ser muito bom gerou muitos bons comentários. Meus destaques vão para a análise de Mano Menezes, que usa o jogo para endossar a teoria da mudança de paradigma do futebol; para Rafael Belattini, via blog do Juca, falando que era um jogo em que não merecia ter perdedor, e de Vitor Birner, que deu grande destaque para a objetividade das equipes.


E assim foi o melhor jogo da Copa até aqui.

Dia #9 - Gana 1 x 1 Austrália - De pênalti em pênalti...


A Austrália realmente é fraquinha. Está longe daquele time que surpreendeu em 2006.

Achou um golzinho no começo, em mais uma malcriação da Jabulani, que escapou do encaixe fácil do goleiro e sobrou no pé de Hollman. Mas daí em diante, nada de muito criativo. Um comentarista de Tv, acho que foi o Mauricio Noriega, disse que os jogadores australianos pareciam muito com os de rugby, porque só mandavam a bola para trás.

Gana não jogava um "futebol maroto", mas era muito mais ágil. Ayew parece honrar a tradição familiar (já falei, mas repito que é filho do Pelé africano), e criava ótimas jogadas. Foi numa jogada sua que Kewell resolveu achar que era goleiro, e defender com a mão em cima da linha. O pior é que ele ainda teve a pachorra de reclamar do cartão vermelho.

No pênalti, Asamoah Gyan fez. Mais uma vez de pênalti, gol de Gana, isso ainda aos 25' do primeiro tempo.

No segundo tempo, o jogo foi de igual para igual em posse da Jabulani. Mas foram os africanos que criaram as melhores chances, porém pecando muito no último toque para o gol.

Fim de jogo, Gana é líder do grupo, joga pelo empate contra a Alemanha para garantir a África nas oitavas. Mas vai ter que suar.

Dia #9 - Holanda 1 x 0 Japão - Futebol medíocre, mas efetivo.


A Holanda, como disse anteriormente, é minha maior aposta para essa Copa. Mas ainda não deslanchou. Robben ainda não jogou, mas não é por causa disso.

Acho que a tal Era Mourinho de que falei alguns posts atrás é o jeito de explicar. O medo que os times tem de se abrir gera essa coisa truncada sem criatividade que estamos vendo, cheio de 1x0, o já chamado "placar da copa".

Nesse jogo, a Holanda jogou futebol bem medíocre, sem metade do que pode fazer. Em matéria de esforço, o Japão foi bem melhor. É o melhor Japão que já veio à uma Copa, contrariando os prognósticos, e o Vitor Birner concorda comigo. Mas ainda falta talento individual, um talento que seja capaz de gerar alguma vantagem.

O resultado mais justo para esse jogo, olhando o jogo coletivo, seria o empate. O que fez a diferença foram as individualidades que a Holanda teve a eu favor. Um, com certeza, foi Wesley Snejder, que deu aquele chute fantástico da entrada da área.
O outro, bem, não é exatamente da Holanda: foi o poder sobrenatural da Jaaaabuuuulaaaannni, que não perdoou o goleirão mal colocado.

No final, Holanda 1x0 com um pé nas oitavas.

The Fellowship of the Vuvuzela

Antes da Copa, a aposta era que a Vuvuzela seria a personagem de maior destaque.

Mas quando o negócio começou, duas entidades esféricas acabaram ganhando disparado: a Jabulani e o Maradona.

Mas ainda assim, ela teve seu papel, pelo menos acabando com a nossa paciência.

Posto aqui um vídeo que ta rolando na internet. A sugestão é do meu grande amigo, David Araya, Gracias David!




Aproveito e coloco aqui um link para um post legal sobre este vídeo, no blog do Ilan House, do globoesporte.com. Aproveitem e deem uma olhada no blog todo!

A primeira rodada da Copa pode ser sintetizada na Era Mourinho

Prometi a alguns que escreveria um post-resumo, com análise da primeira rodada da Copa. Mas agora já passamos da metade da segunda, e eu estou devendo a cobertura de 3 jogos, então me convenci que não será mais possível.

Mas um post no blog "É muito pênalti!" de Marcelo Barreto pode sintetizar de uma maneira legal o que penso dessa rodada, que teve a menor média de gols de todos os tempos (1,6 gol/jogo, se não me engano). Ele fala da era atual do futebol com a "Era Mourinho", com equipes que priorizam a defesa bem montada e um contra ataque bem feito, ao invés de focar no volume de jogadas de ataque. E dá uma boa razão do porque que os times não dão show como a Internazionale deu esse ano.

Essa teoria inclusive explica, no meu modo de ver, o sumiço dos clássicos "camisa 10", meias habilidosos e usualmente canhotos.

Deem uma olhada no post do Marcelo Barreto, e depois em todo o blog dele, vale a pena. O cara, junto com André Rizek, está se consolidando como um grande cronista esportivo da nova geração. Aliás, acho que isso se deve à proposta do Redação Sportv, programa que um era editor chefe ano passado e o segundo é agora. Eles devem ter que ler tanto jornal de manhã que acabam refinando o modo de pensar.

CALA BOCA GALVAO, agora, na Veja

Achei que o negócio estava esfriando.



Não li ainda, então não vou opinar sobre o conteúdo.

Mas sei que isso vai colaborar para a bola de neve levar lá para cima outra vez.