
Esse jogo merece furar fila. Ainda devo os dois jogos da manhã aqui, mas a prestação da seleção justifica furar fila.
Depois de mais 5 dias de treinos secretos, brigas com a imprensa e polemização de coisas não polêmicas, a Seleção foi finalmente conhecer o Soccer City. O adversário, a Costa do Marfim, para muitos da imprensa e do povo era o maís difícil desta primeira fase, e vinha com o astro Drogba desde o primeiro minuto.
A formação era a de sempre. Escalada de 1 a 11, inclusive, fato que ganhou destaque na mídia internacional (aqui
gazzetta.it) por demonstrar que o time é este e não tem quem mude. Gilberto Silva não tinha nada no tornozelo, e Luís Fabiano ia ter que curar sua crise existencial enfrentando a Jabulani mesmo.
O jogo começou com uma grande arrancada de Robinho, apoiado por Kaká e Luís Fabiano, contra 2 defensores marfinenses. O santista porém foi fominha e deu um belo chute de longe, que passou por cima. E essa foi a única aparição individual significativa da parte dele
A Costa do Marfim, vestida de listras horizontais no estilo de uniformes de rugby, se impôs no primeiro quarto de jogo, com mais posse mas sem levar muito perigo. Kaká tinha dificuldades para desenvolver suas arrancadas, Elano não agregava nada, Gilberto Silva e Felipe Melo destruíam bem, porém sem saber o que fazer depois. Yaya Touré e Eboue movimentavam a Jabulani na intermediária brasileira esperando que Drogba se livrasse da marcação, mas isso era difícil de acontecer. Inclusive, na primeira disputa fora da área entre ele e o capitão Lúcio, o zagueiro canarinho tratou logo de dar um pancada no braço machucado do africano.

Esse domínio africano durou até os 24', quando se encaixou a primeira triangulação do trio ofensivo brasileiro. Kaká manteve o domínio e lançou milimetricamente para Luís Fabiano bater forte para o gol do bico da pequena área. Um chute com raiva, que estufou a rede e levou consigo toda a urucubaca que deixou o atacante num jejum de mais de 450 minutos sem marcar. Daí em diante, o Brasil equilibrou o jogo, e nenhum dos dois times criou chance real até o intervalo.
Na segunda etapa, o Brasil veio com mais ímpeto de jogo. Logo aos 5 minutos, veio a pintura do dia: o camisa 9 brasileiro ganha disputa no alto matando a Jabulani involuntariamente no braço, dando um chapéu no primeiro defensor, outro no segundo, e driblando o terceiro numa matada de peito, e que de longe parece que foi mesmo no peito, mas de perto todo mundo viu que foi de
*bíceps muito voluntário. Houve muitas reclamações dos marfinenses, mas como o juiz era francês, e com diz
Gustavo Poli, na França com a mão vale, obviamente ele não deu nada. Ele ainda perguntou para o Fabigol, o qual de maneira marota falou que foi no peito.
O fato é que esse gol deu a confiança para os brasileiros, e fez os africanos se descontrolarem. Começaram a disputar a bola de maneira desleal, mostrando as travas da chuteira mais de uma vez. Kaká chegou até a levar um ippon. Mas quando conseguiu escapar uma vez pela esquerda, chegou na linha de fundo e cruzou para a marca do pênalti. Elano antecipou o zagueiro e mandou a Jabulani para dentro, e comemorou mostrando as caneleiras com o nome das filhas.

E estas caneleiras o salvaram de dar adeus à copa mais cedo: Tiote entrou com os cravos da chuteira em riste, deixando as marcas na meia do jogador. Ele teve que ser substituído, saindo de maca. Mas foi só um susto mesmo.
Aos 34 minutos, Gervinho, que acabara e entrar e dera uma cara muito melhor ao ataque africano, escapou em contra-ataque numa corrida de uns 70 metros, achou Touré livre um pouco atrás, e este cruzou na medida para a entrada de Drogba por trás de Felipe Melo. Era o primeiro africano gol sofrido pelo Brasil em copas.
Os 11 minutos que seguiram foram bastante disputados, mas esquecendo a Jabulani. Os Marfinenses liderados por Tiote distribuíam pancadas nos jogadores brasileiros, sem nenhum pudor, sob os olhares do árbitro francês Stephane Lannoy. Contei ao menos 3 jogadas de solada intencional. O anseio deles era desestabilizar o Brasil, e quem caiu na armadilha foi Kaká. Levou um primeiro cartão por falta boba, e um segundo teve um choque com o adversário que caiu no chão fazendo um grande teatro. O juiz francês era muito fraco, e não soube aplicar o mesmo critério para os dois times. Kaká não merecia ter sido expulso.

No fim, o saldo foi positivo para o Brasil. A Seleção venceu, convenceu, com lapsos futebol arte, mas sempre bastante efetivo. se diziam que a Copa não tinha favoritos, agora tem.
E para quem pensou que quando o juiz apitou a diversão tinha acabado, se enganou de verde e amarelo! Dunga resolveu levar sua implicância com a imprensa a níveis mais altos. Durante a coletiva, parou de responder uma pergunta para tirar satisfações com outro repórter (
Alex Escobar, o dos palpites da Globo), diferente daquele que o tinha questionado. Como se não bastasse, ficou balbuciando palavrões contra ele enquanto os outros perguntavam, e na saída resolveu ir tirar satisfações. Completamente desnecessário, ele já está passando dos limites. Manchou um vitória incontestável, que só serviria para calar todos os críticos.
Só para mostrar como ele podia só viver do sucesso, olhem esse comentário daquele cara da Sports Illustrated:
"I'll just come right out and say it: Brazil's winning this thing--the whole thing."
E PVC, antes crítico do time baseado no futebol defensivo:
"Quem precisa de contra-ataque? Agora é o Brasil da posse da Jabulani" (mudei uma palavrinha aí para não insultar a personagem desse blog)
Mas não, ele quer manter a polêmica. Vamos ver até onde isso vai.
Voltando para a análise, Brasil e Argentina são as únicas equipes que demonstraram padrão de jogo e ímpeto para vencer. Como disse Benjamin Back,
nessa Copa somos nós e eles, o resto é resto.
E por fim, só uma menção honrosa ao Trending topics do twitter, que não faço já há um bom tempo: durante jogo, chegou na lista dos 10 mais mundial a expressão "Juiz Ladrão". Com razão.
Sexta-feira tem mais, no capítulo contra Cristiano Ronaldo.
*Corrigido, foi de bíceps!