Haiti é uma palavra que vem da língua indígena Taína e significa "Terra de Montanhas". E era exatamente uma, ou várias, montanhas que a Seleção precisava transpor nesse jogo.
Com todo respeito por tudo o que representa a classificação dessa pequena ilha ao Mundial, deixando de fora nomes mais "tradicionais" no futebol como Costa Rica e Honduras, vencer o time do país mais pobre das Américas não era a principal montanha que o Brasil precisava atravessar.
| Mauro Pimentel / AFP |
A montanha da desconfiança é muito maior.
Críticas de um país que cresceu sendo chamado de o país do futebol, mas que não se vê no papel de maior de todos já há 24 anos. E nunca soubemos passar tanto tempo assim, desde que ganhamos a primeira vez.
Bom, mister Ancelotti trouxe duas mudanças: Matheus Cunha no lugar de Igor Thiago, e Danilo no lugar de Ibañez. Nada de Endrick.
O jogo começou ainda assim tenso. As montanhas ainda pareciam vários Everests. Até que Bruno Guimarães começa a arriscar enfiadas entre os zagueiros que criam ocasiões pro nosso ataque. Raphinha duas vezes chega bem perto, uma delas até marca, mas em ambas estava impedido. Quando aos 23 a tentativa é do lado esquerdo com Vini Jr, a jogada evolui em finalização, o goleiro espalma pro meio da área e Matheus Cunha cumpre bem o papel de centroavante, luta pelo rebote e a bola entra. Se foi dele ou não não ficou tão claro, mas importa que foi.
A montanha do primeiro gol estava vencida. Nesse momento as montanhas já ficaram com cara de colina. Mais 19 minutos, contra-ataque rápido, Vini acha de novo Cunha cortando pra esquerda na área, ele arremata e sai pro abraço.
Aqui as montanhas viraram morrinhos. Que não foram páreo pra um passe alto e profundo de Paquetá achando Vini Jr pelo mesmo lado esquerdo de sempre. Ele chuta por baixo do goleiro, e temos 3x0 ainda no primeiro tempo.
Na volta da segunda etapa, a expectativa era de pelo menos mais 3. Rayan tinha entrado no lugar de Raphinha, machucado. Mas quem cresce são as montanhas haitianas novamente.
| Reuters/Mike Segar |
Gabriel Martinelli põe uma bola no travessão depois de passe de calcanhar de Vinícius.
Quando aos 32, Rayan acha Endrick na entrada da área, ele recebe e fuzila no meio das pernas do goleiro, e sai comemorando. O Brasil inteiro junto. Porém, algo como meio palmo de adiantamento leva o bandeirinha a anular o gol. Meio palmo...
No fim, foram só os 3 do primeiro tempo mesmo. As montanhas foram transpostas, mas por trilhas mais difíceis que se imaginava.
O que fica é que foi bom ver os novos em campo. Rayan chegou sem avisar. Endrick marcou um gol que não foi, e por muito muito pouco. As montanhas ainda existem. Mas pela primeira vez em muito tempo, parecem escaláveis.
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