sábado, 27 de junho de 2026

Dia #14 - Alcançando as Highlands

 Mantendo a temática geográfica que esse blog tomou nessa copa, podemos dizer que chegamos à nossa versão das terras altas do torneio até aqui.

Dizem que as Highlands escocesas são belas justamente porque são hostis. Penhasco, vento, subida que não termina, aquela sensação de que o terreno foi desenhado pra te cansar antes de chegar lá em cima.

fonte: Rebecca Blackwell / AP Foto
Mas na nossa versão atual, o que tivemos foi uma Seleção Brasileira que enfrentou a hostilidade do contexto e da pressão de frente, e ignorou todas essas dificuldades.

Dá até pra dizer que tivemos um time irreconhecível, a comparando ao que vimos nos últimos 12 meses, mas totalmente plausível se considerarmos os últimos 70 anos.

Claramente uma atitude extremamente decidida. Teve volume de jogo, dominou a partida sem contestações. Não dá pra dizer que a Escócia foi uma ameaça em momento nenhum.

De novo, um Vini Jr. incisivo, que chamou a responsabilidade, que decidiu. Ele foi o responsável por chegarmos a esse topo, a essa terra alta até aqui. Dois gols no primeiro tempo.

O primeiro, logo no começo, após pressão de Rayan, (a novidade do dia no lugar do machucado Raphinha), na saída de bola dentro da área. A bola sobra pra quem estava no lugar certo e sabia exatamente o que fazer com isso. Depois, mais uma pressão do próprio Vini, que rouba e marca, mas o VAR anula. E não sabemos até agora por quê, já que o áudio da explicação do juiz não funcionou.

O segundo de verdade, no apagar das luzes da primeira etapa. De novo pressão e desarme em cima do zagueiro escocês, cruzamento de Bruno Guimarães para cabeçada de Vini Jr. dentro da pequena área. Ótimo primeiro tempo do Brasil. Fantástico de Vinicius Jr.

fonte: @FifaWorldCup
O outro destaque real do jogo foi Bruno Guimarães. Ele foi o cara que deu cadência ao time, que organizou a saída, que leu o espaço antes do espaço existir. É o tipo de jogador que, quando funciona, faz o time parecer mais simples do que é. Matheus Cunha fechou em 3 a 0 com assistência do próprio Bruno. Uma jogada que começa lá atrás no campo de defesa, vem de pé em pé vencendo a pressão dos defensores, cai para Bruno que finge driblar mas deixa o centroavante cara a cara com o goleiro. E a comemoração do surfista pro mundo todo ver.

Resultado feito, espaço pra testar.

Aos 30 do segundo tempo, Ancelotti sucumbe ao clamor popular e coloca Neymar em campo. Vinte minutos a jogar, partida já resolvida, camisa 10 em campo pela quarta Copa do Mundo, recuperado de lesão, ainda encontrando o ritmo. Não precisa provar nada. Ou precisa? Talvez só estar ali já diga alguma coisa. Fato é que ele existe.

E depois de Neymar, Endrick. Infelizmente não fez grande coisa, e não tinha como fazer grande coisa. Mas estava lá. Na Copa do Mundo. Aos dezenove anos. Isso vai ser importante mais adiante, eu tenho certeza.

O Brasil chegou ao topo das Highlands sem precisar de drama. Às vezes a subida não é tão íngreme quanto parecia lá de baixo.

Segunda-feira, Houston. Que venha o Japão. A escalada continua.

Nenhum comentário:

Postar um comentário