quinta-feira, 1 de julho de 2010

Dia #17 - Argentina 3 x 1 México - Olhando o replay

Pela primeira vez, o jogo era da Argentina mas outra pessoa brilhou mais do que Maradona.
Antes de começar a partida, viro para e meu pai e digo: "com a eliminação da Italia, esse juiz certamente é um dos cotados para afinal". Engano meu .

O México entrou focado. Tem aquele gol de Maxi Rodriguez em 2006 entalado até hoje, e a disposição era toda para não deixar que ele se repetisse. O time mexicano é leve, rápido, mesmo não tendo o bom Carlos Vela. Criou 3 grandes chances até os 25'.

A Argentina demorava para se encontrar. Tevez mais uma vez era esforçado, mas o resto do time não. Messi não havia tido ainda chance de desequilibrar. Até os 25'

Nesse minuto crucial, aconteceu um lance que poderá selar a maior revolução que este mundial poderá trazer ao futebol. Eis que Messi finalmente tem a chance de criar o lance fatal, e passa milimetricamente para Tevez, que levemente impedido (porém bem na frente ao auxiliar), não alcança a Jabulani antes do goleiro, e fica na linha da pequena área olhando o desenrolar da jogada. O rebote do arqueiro caprichosamente encontra outra vez Messi, que num golpe de vista, sem realmente pensar na situação do companheiro, lança de primeira para o mesmo Tevez, que cabeceia para o gol. Era mais do que claro, o impedimento. Não precisava de replay para atestar isso. Mas o bandeira de início não levantou, e o árbitro italiano Roberto Rossetti validou o tento, apesar de ampla reclamação (falarei mais no fim do post)

A seleção mexicana ali se desestabilizou. Pouco mais de 5 minutos depois do fato capital, a zaga da uma bobeada inadmissível na frente de um sonolento porém oportunista Higuain, e o atacante agradece o presente, dribla o fraco goleiro Perez e amplia.

No segundo tempo, Tevez corou seu esforço com um belo gol, este perfeitamente regular, da intermediária. O placar de 3 x 0 matou as esperanças mexicanas. Ainda tentaram uma reação, diminuindo aos 26' com o jovem Hernandez, mas foi só.

No lance da controvérsia, o replay estava lá. E todo mundo viu. Jogadores do México colaram no bandeira apontando ao telão, enquanto a torcida vaiava. O personagem, chamado Stefano Ayroldi, também viu, por isso chamou o juiz na lateral, e aparentemente tentou voltar atrás na decisão. Mas Rossetti não endossou o arrependimento do auxiliar, e validou o gol. Era injusto, mas era a regra. Como aponta Mauro Beting, o juiz acertou ao errar deliberadamente, pois a Fifa quer que seja assim, não aceita a revisão do lance por meio de imagem, e aceitar tal revisão faria com que todo o regulamento do mundial pudesse ser contestado.

Os mais críticos podem vir com o argumento de que então qualquer erro do juiz poderia gerar também esta contestação. E digo que não, pois como as decisões do juiz são interpretativas, desde que tomada ali apenas pelos 3 árbitros, portanto errar é encarado com interpretado de forma diferente. Neste lance, claramente pode-se ver que houve influência externa.

Obviamente, eu não concordo com isso. Na era tecnológica, a tecnologia tem que fazer parte do maior espetáculo do planeta. E certamente a discussão será levantada após este mundial. Blatter inclusive se "desculpou oficialmente" pelo acontecimentos, e mandou os italiano para casa (junto com o juiz do jogo da Inglaterra). Mas a discussão tem que existir, a pressão para que isso ocorra é fundamental.

Pode não ser com abrangência total, pode ser só em situações de dúvida de eventos fundamentais (foi ou não foi gol, saiu antes do cruzamento ou não, etc), e não em qualquer situação. Pode ser chamado apenas pelo juiz, sem o famoso "challenge" da NFL, mas tem que existir a possibilidade de revisão. Senão, como comentei em post anterior, a credibilidade do esporte vai ser cada vez mais abalada. E a própria Fifa é quem tem mais a perder com isso.

Os quatro próximos anos devem ser de muita reflexão. Mas aposto que certamente em 2014 teremos muitas novidades.

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