Todo mundo esperava um jogo difícil. Mas não tanto.
A seleção marroquina é bem ajeitada, troca passe curto, domina o espaço, mas também agride. Hakimi, Bouaddi e Brahim Diaz são a espinha dorsal de um meio campo consistente.
Do nosso lado, Casemiro estava numa tarde horrenda, Paqueta idem. Bruno Guimarães fazia o básico com dificuldade, o que na conjuntura, já era uma conquista.
Brasil foi dominado no começo do jogo. Tentou alguma correria no ataque, sem nenhuma organização. Marrocos dominava, trocava passes, envolvia, chegava. Não tenho medo de repetir André Kfouri e dizer que foram os piores 30 minutos iniciais do Brasil desde aquela fatídica tarde do 7 a 1, guardadas as devidas proporções.
Quando a Seleção esboçava mais volume no ataque, ainda que sem muita ordem ou intenção, o bom Brahim Diaz acha um lançamento em profundidade. Ibanez e Magalhães ambos fazem o giro de forma errada, o buraco entre eles se forma, Saiabri desponta em velocidade, e com um toque encobre Alisson sem chance de reação. Bonito gol. Vantagem africana.
Com a vantagem, o time africano se solta ainda mais. O Brasil não conseguia trocar 3 passes consecutivos, dependia de bola espirrada e correria. Aos 32, em mais uma bola assim, Vinicius Júnior, que até então tinha tocado na bola uma vez apenas, deixou aflorar a malemolência do brasileiro, corta pra dentro depois de chegar na linha de fundo, e faz o gol.
Nesse momento, Marrocos sentiu. O Brasil equiparou. Aqui pra nossa sorte pesou a diferença entre Brasil e Alemanha, e conseguimos controlar, e não descambar como foi naquele dia em BH. Legal essa arte que foi pra transmissão, com a intensidade de cada time em cada momento do primeiro tempo, e como os gols pesaram nisso.
| fonte: transmissão oficial |
Ancelotti volta com duas substituições no intervalo. Fabinho por Casemiro, Danilo por Ibanez.
Mais duas com 7 minutos. Matheus Cunha por Igor Thiago, Luiz Henrique por Paquetá. Aliás, um ótimo meme que vi foi que a justiça inglesa absolveu Paquetá pra prejudicar o Brasil na Copa, e parece que por enquanto tá dando certo.
No segundo tempo o jogo equilibrou, mais pela baixa de intensidade de Marrocos, que visivelmente cansou, do que por qualquer mérito do Brasil. No fim, Alisson não teve uma grande defesa o jogo todo. Não tivemos bolas na trave. Mas também não fizemos outro gol.
E tenho que evidenciar que Endrick não entrou. O cara com mais aproveitamento decisivo com a camisa amarela nos últimos dois anos não teve chance. Mister Ancelotti precisa rever isso. Igor Thiago, foi o escolhido pra ser o centroavante titular, com Vini Jr e Raphinha. Vini se salvou pelo gol, mas os demais foram muito mal e os substitutos foram no máximo "menos piores".
Dois destaques jogo:
| fonte: Instagram |
O outro foi Alexandre Pato. Sim, aquele que 20 anos atrás todo mundo achava craque, mas que não gostava da vida de boleiro. Daí eu dou contexto: eu sou do tipo que me irrito com o delay, então fui ver o jogo no SBT, porque ainda tinha Galvão e Mauro Beting. E me deparo com Pato ali também como comentarista, (poderíamos dizer que só tá ali porque é marido da herdeira). Mas olha, foi humilde, falou pouco, sempre que falou trouxe coisa útil, analise boa, discordou do Galvão sobre lances no campo que só quem jogou tem aquela visão, e tinha interpretações sobre as decisões de Ancelotti que só um insider teria. Lembremos, ele foi treinado pelo italiano nos tempos de Milan, alguns bons anos.
Agora, que venha o Haiti. Ao fim do jogo os comentários foram : "ficará em primeiro quem fizer mais gols no time caribenho". Mas quem assistiu o jogo deles contra Escócia, viu que eles venderam bem caro o 1x0. Sei não se vai ser esse baile todo...
Na minha opinião, só se tivermos o Endrick. E talvez o Ney.
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